CRÔNICA

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 25 de Fevereiro de 2025

A Orquestra do Cotidiano: Um Concerto de Ironias, Críticas e Sonhos

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 25 de Fevereiro de 2025
Publicado em 26/02/2025 às 13:22

Os sorrisos e as lágrimas do dia 25 de Fevereiro de 2025


Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


O palco da vida estava montado. O maestro do destino ergueu sua batuta e os instrumentos começaram a soar.

Na percussão, os tambores do desemprego rufavam forte, anunciando um novo concurso para gestor público em Sergipe. O governador, vestido de maestro, regia a esperança de muitos, enquanto a Fundação Getúlio Vargas afinava os violinos da burocracia. Os candidatos já ensaiavam seus solos de apostilas e noites insones, esperando que suas partituras fossem lidas na sinfonia dos aprovados.

Do outro lado do palco, um trompista tutti soprava o vento da cultura. A Orquestra Sinfônica de Sergipe abria vagas, provando que, em tempos de dissonância social, ainda há espaço para a música. Mas quem será que pode tocar essa melodia? Será que os sons do desemprego abafam as notas dos que sonham viver da arte?

Enquanto isso, nos camarotes do país tropical, o Carnaval já afinava seus tambores. A frota do transporte intermunicipal crescia como um samba-enredo bem ensaiado. 628 veículos prontos para desfilar pelas avenidas da folia, carregando foliões ansiosos para esquecer os dramas diários. O trânsito? Uma bateria descompassada, regida pelo improviso. E no meio do frevo dos motores, quem pegou o ônibus errado já estava em outra cidade sem nem perceber.

Mas eis que surge um solo de trompete vindo de Brasília: o Presidente Lula resolve liberar saques do FGTS! R$ 12 bilhões injetados na economia, como se fosse um bis de esperança no show da recessão. Trabalhadores demitidos desde 2020 agora podiam buscar na bilheteria da vida um pouco do dinheiro que um dia lhes foi prometido. Mas atenção: não era open bar! O saque vinha com partitura própria e só os que não caíram no truque do saque-aniversário poderiam aplaudir de pé.

E por falar em sorte, um carioca acabou de ganhar o grande prêmio da Mega-Sena. R$ 131 milhões! O maestro do acaso apontou sua batuta para os números certos e um bilhete, entre milhões, foi o escolhido. Dizem que o vencedor já desapareceu do mapa, e especialistas acreditam que ele esteja se preparando para a nova modalidade de vida: “fugir de parente pedindo empréstimo”.

Longe das apostas e dos blocos de Carnaval, um papa fazia história. Francisco, aquele que já dançou fora da coreografia vaticana algumas vezes, decidiu quebrar o tabu dos bastidores papais e divulgar boletins de saúde detalhados. Nada de segredos, nada de meias-palavras. Se João Paulo II e João XXIII tiveram diagnósticos ocultados por anos, agora o mundo saberia de cada febre e cada suspiro. Um papa transparente no palco da fé. Mas será que os fiéis estão preparados para encarar a vulnerabilidade do sucessor de Pedro?

Enquanto isso, um apagão no Chile mostrava que nem tudo são luzes na orquestra do mundo. Os voos atrasavam, passageiros aguardavam sem partitura definida, e os sistemas da Latam desafinavam como um coral sem ensaio. O caos aéreo compunha uma sinfonia improvisada, onde o maestro era o desespero e o público pagante não sabia se a apresentação terminaria com aplausos ou vaias.

E assim, o espetáculo do dia 25 de fevereiro de 2025 chega ao fim.


O pano desce, mas a plateia continua inquieta. Amanhã, um novo concerto começará, com novos solos de esperança, novas notas de ironia e, claro, as mesmas dissonâncias de sempre. A vida, afinal, não tem partitura fixa. Cada dia é um improviso, e nós, meros músicos, tentamos não desafinar no grande palco do cotidiano.