CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 24 de outubro de 2025
AS PÁGINAS DO DIA 24 DE OUTUBRO DE 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
O dia 24 de outubro nasceu com cheiro de giz, café e debate. Lá estavam eles — os professores — heróis de quadro e apagador, enfrentando não dragões de sete cabeças, mas currículos de mil páginas. A Universidade Federal de Sergipe virou palco de um encontro que mais parecia assembleia de corações cansados e mentes inquietas. O Sintese, com seu estandarte da resistência, uniu forças com a academia, e juntos costuraram o tecido invisível da educação — aquele que o tempo tenta desfiar, mas que a esperança insiste em remendar.
O Encontro Estadual sobre Currículo foi mais que um evento: foi um espelho. Professores e professoras se olharam ali e viram que, apesar das olheiras e do giz nos dedos, continuam sendo arquitetos de futuros, mesmo quando o presente insiste em ser ruína. Entre palestras e debates, o verbo “ensinar” foi conjugado com suor, lágrimas e café morno — porque educar, no Brasil, é sempre um ato de heroísmo em tempo integral.
Enquanto isso, no reino distante da política, um deputado resolveu brincar de alquimista. O senhor Kiko Celeguim, de jaleco parlamentar e pena legislativa, decidiu incluir a adulteração de bebidas na lista dos crimes hediondos. Uma medida justa, afinal, adulterar cachaça é quase um atentado à alma brasileira. O problema é que, entre goles de burocracia e copos cheios de interesses, misturaram também uma tal compensação do IOF, que nem o mais sóbrio economista consegue decifrar. Parece que o Congresso anda embriagado — não de vinho, mas de confusão.
O Brasil, que já anda tropeçando em suas próprias leis, agora corre o risco de ser multado por excesso de ironia. Adulterar bebida é crime hediondo, graças a Deus.
E, do outro lado do continente, o mundo afia suas garras. Os Estados Unidos e Trinidad e Tobago resolveram fazer exercícios militares perto da Venezuela — como se o Caribe fosse academia e a paz, uma esteira quebrada. Trump e Maduro trocam olhares tensos, discursos inflamados e ameaças disfarçadas de diplomacia. A guerra, essa senhora de vestido cinza e perfume de pólvora, ronda a varanda da América Latina esperando convite para o jantar.
Maduro diz que não quer guerra, mas o tom de sua voz soa como quem acende fósforo perto de barril de gasolina. Trump, do outro lado, brinca de comandante supremo, achando que o planeta é um tabuleiro de War e os povos, meras miniaturas de plástico.
Enquanto as nações brincam de tempestade, nós, meros mortais do hemisfério sul, seguimos tentando não naufragar nas marés da política, da economia e do medo.
E assim o 24 de outubro termina — com professores discutindo o currículo, deputados misturando leis e licores, e generais ensaiando passos de guerra em solo alheio.
O Brasil, entre giz e goles, continua sendo o mesmo palco tragicômico onde o riso e o choro dançam abraçados.
Mas há de chegar o dia em que o currículo nacional ensinará não só verbos e fórmulas, mas também o segredo de não perder a ternura — mesmo em tempos de tanta loucura.
Porque educar é resistir, e resistir é amar o que ainda pode florescer — mesmo quando o mundo parece deserto.




