CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 24 de maio de 2025
Dia 24 de maio de 2025 entre goteiras, buracos, cavalos, editais, explosões e prêmios.
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
Num Brasil onde até o céu anda furado, as nuvens resolveram testar a qualidade dos telhados públicos, especialmente o do Mercado Maria Virgínia Leite Franco, em Aracaju. E, como bons fiscais da natureza, despejaram aguaceiros generosos, deixando claro que o teto do mercado é mais uma peneira gourmet do que proteção contra chuva. Lá dentro, comerciantes transformaram-se em equilibristas de rodapé, dançarinos do balé da goteira e especialistas em “remoção emergencial de mercadoria sob risco de naufrágio”.
Mas calma! A Emsurb, esse mágico das promessas, garantiu que “em breve” uma empresa consertará o problema. “Em breve”, esse advérbio que mora num futuro paralelo, onde tudo se resolve, mas nunca chega.
Enquanto isso, quem tenta trafegar pela SE-270, em Lagarto, descobre que a rodovia virou uma trilha de aventura. Buracos disputam espaço com crateras, num concurso público aberto para ver quem engole mais pneus por metro quadrado. O DER, sempre poético, respondeu que o reparo começa “assim que São Pedro der uma trégua”. Ou seja: coloquem oferendas, acendam velas e façam promessas, porque só milagre salva.
E se os buracos são obstáculos, os animais soltos nas rodovias de Sergipe são bônus da roleta russa viária. Quatorze cavalos decidiram viver o sonho da liberdade, pastando asfalto e desfilando nas BRs como se estivessem na Paris Fashion Week versão nordestina. O BPRv, com seus laços de cowboy urbano, prendeu os modelos de quatro patas, lembrando aos donos que soltar bichos na pista é crime. Mas convenhamos: em terras onde o próprio Estado solta promessas e amarra soluções, quem se surpreende?
No universo dos que tentam fugir dessa ciranda maluca chamada Brasil, saiu o edital do Enem 2025. Sim, jovens, preparem suas mochilas, seus resumos e seus calmantes! As mudanças foram oficializadas: datas definidas, regras no papel… E a tradicional dúvida também publicada no Diário Oficial das Angústias: “Será que eu passo?” O Enem, esse vestibular da esperança, segue separando sonhos de pesadelos com uma régua que ora mede, ora esmaga.
Mas nem só de goteiras, buracos e cavalos vive o Brasil. O céu cultural resolveu abrir um sol radiante em Cannes! Wagner Moura, nosso eterno Capitão Nascimento, subiu ao palco pra receber o prêmio de melhor ator, e Kleber Mendonça Filho levou a melhor direção, coisa que só tínhamos visto com Glauber Rocha, aquele profeta da câmera e da contradição. Lula, que ama um tweet poético, logo mandou: “Hoje é dia de sentir ainda mais orgulho de ser brasileiro”. E é mesmo, presidente! Porque se a política e a infraestrutura andam dignas de Oscar de filme-catástrofe, pelo menos nossa arte brilha na tela grande do mundo.
Ah, e do outro lado do hemisfério, no rio Hudson, em Nova York, um barco explodiu. É isso. Nem sempre o roteiro é brasileiro, mas a tragédia é universal. O prefeito garantiu que não foi crime, mas a vida anda mesmo com gosto de roteiro escrito por roteirista bêbado: cena de ação, suspense, comédia involuntária e muito drama.
Entre goteiras, buracos, cavalos, editais, explosões e prêmios, o Brasil segue — ora andando, ora tropeçando, ora navegando em barcos furados, mas sempre, sempre resistindo. Porque, como diria um velho poeta da esquina: “Nesse país, ou você ri, ou você surta.”




