CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 24 de junho de 2025

Giro de notícias do dia de São João

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 24 de junho de 2025
Publicado em 24/06/2025 às 20:20


Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


“Fogueira acesa, mas o mundo anda em brasa”

Era noite de São João, e as estrelas dançavam no céu feito bandeirinhas acesas por Santo Antônio, São Pedro e o próprio São João — trio que, se vivesse nos dias de hoje, teria dificuldade em achar um canto de paz até mesmo nos altares do mundo.

Na Rua Rute Santos, no bairro Industrial de Aracaju, o São João era resistência: sanfona em dó maior contra o dó menor do noticiário. Lá, o povo não esperava aprovação de projeto para ser feliz — bastava uma fogueira, um milho assado e um forró no coração. Enquanto isso, nos bastidores da realidade, o planeta virava uma grande fogueira… sem festa.

Lá no Oriente Médio, os BRICS — esse clube de países com nome de tijolo de reboco — resolveram botar o dedo na tomada nuclear. Condenaram os ataques ao Irã, pediram paz, e suplicaram que as bombas voltassem a ser apenas fogos de artifício no céu junino. Mas a guerra tem ego de cangaceiro: quer sempre mostrar quem tem mais bala no bornal e mais território no mapa.

No céu do Brasil, por outro lado, a Voepass perdeu o “voo” e agora passará longe das nuvens. A ANAC cassou seu certificado, e com ele, foi-se a esperança de alguns viajantes de chegarem em terra firme ou, ao menos, ao destino prometido. Voar no Brasil virou promessa de santo: só se acredita depois do milagre.

E falando em milagres, o INSS — aquele senhor cansado que carrega a cruz da burocracia — anunciou que vai devolver aos aposentados o que lhes foi tirado em nome da “falha do sistema”. Começa no dia 24 de julho. Um mês de espera e um histórico de promessas. A fila anda, mas quem anda mesmo é o tempo, arrastando os idosos em sua bengala de esperança.

Enquanto isso, o Governo federal trocou samba de uma nota só por música de partilha: hospitais privados poderão abater dívidas atendendo ao povo pelo SUS. Quem deve, paga com atendimento. Quem não deve, ganha desconto nos impostos. Parece justo — se não fosse o Brasil, onde todo arranjo soa como forró desafinado tocado por sanfoneiro cego.

Na Itália, um capítulo de novela policial se desenrola. A deputada Carla Zambelli teria fugido e alugado um apê nos arredores de Roma. Quem diria? De defensora da moral e dos bons costumes a personagem de filme noir com ares de turista fugitiva. A Interpol, por certo, não curte o enredo — mas o brasileiro, esse roteirista do absurdo, já se acostumou com políticos que preferem pizza à prestação de contas.

Em outra ponta do teatro trágico, sete foram presos por desviar salários de Gabigol e outros jogadores. O futebol, esse orixá do povo, virou terreiro de lavagem, trapaça e boletim de ocorrência. Onde o suor do craque vale milhões, tem sempre alguém querendo secar a camisa antes de chegar ao vestiário.

Mas foi a trilha de Juliana Marins que desfez a rima da alegria neste São João. A jovem brasileira, que caiu em uma trilha de vulcão na Indonésia, foi encontrada sem vida. A trilha virou sepultura, o monte virou luto, e o mundo, mais uma vez, mostrou que a linha entre o sonho e a tragédia é mais fina que a fumaça de uma vela de aniversário. Juliana, que partiu aos 26, agora mora nas alturas onde o drone não alcança, mas onde as orações tocam fundo.

Enquanto isso, Irã e Israel, após 12 dias de fúria, proclamam suas “vitórias”. Cada qual com seu microfone, gritam para o mundo que venceram. Venceram o quê? A paz? A lógica? Ou venceram apenas o tempo até a próxima faísca incendiar outra esquina do deserto?

E, no Brasil, a fogueira segue acesa. A que queima o milho, sim. Mas também a que queima o senso, o senso crítico, o senso de justiça. O São João resiste como flor de mandacaru: nasce do espinho, brota na seca e perfuma até o coração mais calejado.

Que neste 24 de junho, entre um xote e uma saudade, entre um baião e uma bomba, entre o riso e a manchete, a gente siga dançando. Porque se for para arder, que seja de amor, que seja de forró, que seja de esperança — e não de bomba, corrupção e descaso.