CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 23 de outubro de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 23 de outubro de 2025
Publicado em 23/10/2025 às 21:29

Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

O 23° dia de outubro de 2025 acordou com cheiro de caneta no ar — não a que escreve poesias, mas a que promete apagar gorduras com tinta milagrosa. Aracaju virou palco de um novo tipo de literatura corporal: o capítulo da “Caneta Mágica do Emagrecimento”, escrita à mão leve e risco pesado. A Vigilância Sanitária bem que tentou avisar: “Cuidado, o sonho de emagrecer pode vir com efeito colateral de arrependimento!”. Mas o povo, ávido por atalhos, continua buscando o paraíso em forma de seringa, esquecendo que saúde não se compra — se cultiva, como planta que só floresce com paciência e suor.

Nas ruas, os anúncios piscam: “Perca peso e ganhe ilusões em até 12 prestações!”. E lá vai o brasileiro, magro de esperança e gordo de fé, acreditando que a solução vem em tubos coloridos com promessas de TikTok. Enquanto isso, a consciência coletiva emagrece também — perde nutrientes de senso crítico, e ganha celulite de alienação.

E se em Aracaju o perigo está nas canetas, em Brasília o alerta é outro: transparência. O ministro Flávio Dino resolveu abrir as cortinas do teatro político e exigir que estados e municípios mostrem as engrenagens das tais emendas parlamentares. “Critérios de transparência”, disse ele — como quem pede para políticos andarem de roupa clara na tempestade da corrupção. Difícil, ministro. Há décadas, o poder veste beca preta justamente para não deixar ver as manchas.

As emendas são como tatuagens malfeitas na pele do orçamento: feitas às pressas, em lugares escondidos, e com promessas de arte que acabam virando borrão. Querem transparência, mas ainda usam o pano do sigilo para enxugar o suor das irregularidades. É o Brasil tentando passar a limpo com um corretivo gasto.

E entre impostos e ilusões, o país celebra: a arrecadação federal atingiu o maior valor em 25 anos! R$ 216 bilhões em setembro — um recorde digno de fogos de artifício contábeis. O governo sorri, os cofres vibram, e o povo… bom, o povo continua com o bolso em dieta forçada. O tesouro engorda, mas a mesa da dona Maria segue com o mesmo arroz racionado e o feijão em porções poéticas. É a velha dieta econômica: engorda-se o Estado, emagrece-se o cidadão.

Lá fora, o mundo queima petróleo e geopolítica. Os Estados Unidos aplicam novas sanções à Rússia, e o barril sobe 5% — mais um gol contra do planeta. O petróleo, esse sangue negro da modernidade, sobe de preço e escorre em lágrimas nas bombas dos postos. Enquanto os grandes falam de cessar-fogo, o fogo mesmo arde é no tanque do carro do trabalhador, que suspira ao encher R$ 100 e ver o ponteiro zombar, imóvel, como se dissesse: “isso é tudo, amigo?”.

O planeta gira, cambaleante, entre guerras, sanções e dietas milagrosas. Tudo sobe — o petróleo, os impostos, as promessas. Só não sobe o senso de humanidade, esse produto fora de estoque há tempos.

E entre um imposto e outro, o Brasil continua, poético e patético, tentando emagrecer seus problemas com fórmulas instantâneas. Mas, no fim, o que realmente precisa perder peso é o ego inflado dos que governam, e o que precisa engordar é a consciência de quem ainda acredita em mágica — seja em canetas que afinam cinturas ou em discursos que enganam o povo.