CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 22 de Setembro de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 22 de Setembro de 2025
Publicado em 23/09/2025 às 1:57

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

Abram-se as cortinas do dia! Eis que o palco da segunda-feira se ergue como um teatro cheio de atores que juram improvisar, mas seguem um roteiro mal escrito pela própria história. Sergipe, pequenino em mapa e gigante em memória, acordou com o Museu da Gente Sergipana soprando poesia no vento da 19ª Primavera dos Museus. Era como se cada objeto exposto ganhasse vida e dissesse: “não me deixem virar poeira, não me deixem morrer em silêncio”. Ali, os tambores do cacumbi soavam como corações antigos, e as fitas das cheganças dançavam com o cheiro do rio. Preservar, dizem eles, é mais que guardar no porão — é lembrar que sem raízes não há árvore que floresça.

Enquanto isso, longe da sala climatizada do museu, no circo romano da política, o espetáculo beirava o grotesco. A PGR resolveu acender o holofote sobre Eduardo Bolsonaro, acusando-o de tentar salvar o pai com um passe diplomático nos EUA, como se fosse possível varrer um golpe de Estado para debaixo do tapete da Casa Branca. Jair, o patriarca, escapou da denúncia, como quem foge pela porta dos fundos de um cabaré depois da batida policial. Ironia fina: o filho que jurava defender a pátria acabou réu de um patriotismo de exportação, tentando vender a honra nacional a preço de liquidação internacional.

Mas a novela ganha um tempero mais picante com o governo Trump em seu segundo ato. Ah, Trump, esse maestro da dissonância, que transformou a Lei Magnitsky em espada e a balança da justiça em pêndulo de interesses! Depois de sancionar Moraes em julho, agora resolve apunhalar até a esposa do ministro, como se a democracia fosse um jantar em família e ele, o cozinheiro vingativo. Chamam a lei de “pena de morte financeira” — e eu pergunto: desde quando dinheiro substitui o pulso vital? A verdade é que vivemos num mundo em que matar a conta bancária é mais letal do que envenenar o copo d’água.

E como se o palco não tivesse enredos suficientes, o Oriente Médio resolveu soprar vento fresco: o Reino Unido reconheceu a Palestina, e Londres ganhou uma nova embaixada. Foi como plantar uma oliveira no meio do asfalto europeu. Entre aplausos e protestos, a bandeira palestina tremulou nas margens do Tâmisa, lembrando ao mundo que a esperança insiste em florescer até nas rachaduras do concreto.

Mas, como em toda farsa política, há sempre um ator que se recusa a sair de cena: Trump, de novo. O velho espetáculo do “eu contra todos” ganhou novos capítulos, com pedidos de urgência ao Departamento de Justiça para acelerar processos contra adversários políticos. É como se o palco democrático tivesse virado ringue de boxe, onde o árbitro é comprado e as luvas, cravejadas de ferro. Trump reclama que “nada está sendo feito” — ah, se ele soubesse quanta coisa está sendo desfeita em silêncio, talvez guardasse o verbo no bolso e deixasse o espetáculo correr.


E assim terminou o dia: entre museus que guardam a memória e tribunais que expõem a amnésia; entre sanções que matam contas e esperanças que inauguram embaixadas; entre filhos que defendem pais e pais que fingem inocência.

A vida, caros leitores, segue sendo esse teatro tragicômico: uns guardam o passado como ouro, outros vendem o futuro como sucata. O que nos resta é escolher de qual plateia queremos rir — a dos que preservam ou a dos que conspiram.

E no final, quando a cortina fechar e o silêncio cair, talvez descubramos que o maior museu é a própria consciência: aquele lugar onde só cabem peças autênticas, e onde nenhuma mentira resiste ao tempo.