CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 22 de outubro de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
O dia 22 de outubro amanheceu com o coração pesado — desses que batem em tom menor, como se o mundo inteiro tivesse acordado de ressaca ética. O noticiário, esse poeta trágico de tragédias diárias, trouxe dois versos dissonantes: um sobre adolescentes perdendo tempo de juventude, outro sobre adultos brincando com o fim do mundo.
No Brasil, o Senado — esse teatro onde discursos vestem ternos e verdades andam de chinelo — decidiu aumentar o tempo de internação de adolescentes infratores. Cinco anos, talvez dez. A infância virou réu, e o castigo ganhou prorrogação. É como se o país dissesse aos seus jovens: “não te darei escola, mas te darei cela ampliada, com vista para o esquecimento”.
As cadeias aplaudem. As grades, vaidosas, brilham de tanto sol refletido na promessa de novos hóspedes. A ironia é que se fala em ressocializar o que nunca foi socializado. O jovem que não teve lar, agora terá número. O que não teve colo, agora terá concreto. A poesia da juventude se transforma em prosa amarga de sobrevivência. E o Brasil, esse eterno adolescente institucional, segue cometendo os mesmos erros com maior tempo de duração.
Enquanto isso, do outro lado do planeta, a Rússia decidiu brincar de apocalipse. Mísseis subiram aos céus como fogos de artifício do juízo final, e o mundo prendeu a respiração — porque Putin resolveu transformar o firmamento em campo de tiro. As nuvens, assustadas, pediram licença para chorar. A Terra, cansada de ameaças, girou mais devagar, como quem sussurra: “de novo, não…”.
Um dia após adiar uma reunião com Trump — o eterno vendedor de catástrofes —, Putin resolveu fazer barulho. Talvez fosse só ciúme diplomático, talvez um teste de masculinidade geopolítica. O planeta, esse órfão de bom senso, assistiu ao espetáculo de sombras e fumaça, onde cada ogiva é uma sílaba da loucura humana.
Enquanto os poderosos medem o tamanho de seus botões vermelhos, os pequenos — os meninos das ruas, das escolas sem professor, dos becos sem futuro — continuam sendo alvos fáceis de uma guerra menos televisiva: a da miséria, da exclusão, da indiferença.
Ah, Brasil… tão preocupado em prolongar penas e tão displicente em cultivar sonhos.
Ah, humanidade… tão pronta para lançar mísseis e tão lenta para lançar compaixão.
No fim do dia, o noticiário fechou a cortina e a Terra apagou as luzes. Lá fora, o vento ainda sussurra uma oração pelos meninos que a sociedade chama de “problema” e pelos adultos que o planeta chama de “ameaça”.




