CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 21 de maio de 2025
O giro de notícias nas entrelinhas do dia 21 de maio de 2025.
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
O céu sergipano, meus caros leitores, virou uma caixa d’água furada, despejando lágrimas sem trégua sobre nossas cabeças. Chovia tanto que até Noé pensou em construir uma segunda arca, desta vez com Wi-Fi e energia solar, porque o dilúvio, meus amigos, agora é high-tech e começa em maio.
Foram 38 municípios que se afogaram no abraço líquido de nuvens temperamentais. Aracaju, Pacatuba e Ilha das Flores pareciam Atlântidas modernas, submersas entre promessas políticas e canoas improvisadas. A Defesa Civil, coitada, virou bombeiro de enchente, tentando enxugar oceano com rodos e distribuir esperança em baldes furados. E as famílias? Desalojadas, molhadas e empacotadas em abrigos que, de tão lotados, pareciam lata de sardinha em conserva.
E enquanto o povo tirava água com baldes, o Senado, na secura do ar-condicionado, decidiu abrir as comportas… não das águas, mas do desmatamento. Aprovaram a Lei Geral do Licenciamento Ambiental, que na tradução livre significa: “faça o que quiser, construa onde der, derrube quem puder, sem se preocupar com papelada”.
Foi um vendaval de votos: 54 senadores disseram “sim” ao progresso desenfreado e 13, com cara de quem sabe nadar contra a correnteza, tentaram segurar a boia da sensatez. A floresta, coitada, deve ter soltado um suspiro abafado, enquanto rios, manguezais e nascentes entenderam que, no Brasil, natureza é mercadoria e preservação virou artigo de luxo.
E não pensem que o circo para por aí. Na lona azul do Congresso, a CPI das Bets armou seu picadeiro. Lá estão os palhaços digitais – que antes faziam dancinhas, publi de skin care e vídeos de “acordei assim” – agora sentados na cadeira do depoente. Carlinhos Maia, o influencer das selfies sorridentes, vai precisar sorrir diante dos engravatados, que não querem close, querem extrato bancário. E a moça dos milhões, Virgínia Fonseca, entrou no pacote: querem saber se o blush que ela passa é pago com dinheiro limpo… ou lavado.
E se aqui os bastidores são de apostas e apostas, do outro lado do planeta o espetáculo é bélico. Na Coreia do Norte, um navio de guerra, que deveria ser a cereja do bolo nuclear, resolveu fazer cosplay de submarino. Afundou no próprio batismo. Kim Jong-un, aquele senhor de cabelo milimetricamente aparado, soltou fogo pelas ventas. Disse que o vexame “abalou a dignidade do país”. Eu arrisco dizer que abalou também a dignidade da engenharia naval norte-coreana, que agora procura emprego no LinkedIn… se é que lá funciona.
O mundo, meus caros, virou um tabuleiro de apostas. Uns apostam contra a natureza, outros apostam no cassino digital, e tem quem aposte em mísseis que não sabem nadar. Enquanto isso, a chuva cai, a lama sobe, o rio transborda, e o povo – esse povo guerreiro – aprende, na marra, a nadar nas enchentes do descaso, nos tsunamis de corrupção e nas tempestades de irresponsabilidade.
Se há algo que deveria estar em licenciamento, não é o meio ambiente… É a cara de pau. Essa, sim, precisava de uma licença rigorosa, vistoria semanal e multa pesada pra quem ousar ostentá-la em praça pública.




