CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 21 de julho de 2025
As manchetes do 21º dia de julho de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
Era uma segunda-feira com cara de domingo que não terminou. O céu amanheceu com olheiras de preocupação e a cidade de Aracaju, coitada, levou um tombo energético logo cedo. Um carro, mais apressado que boleto no fim do mês, resolveu se encontrar romanticamente com um poste — mas o encontro não foi dos mais iluminados. Resultado: mais de cinco mil clientes sem energia. A cidade, sem café e sem wi-fi, teve que encarar o próprio reflexo no espelho. Descobriu que, sem luz e sem rede, o ser humano volta ao modo “pré-histórico com um toque de revolta digital”.
Enquanto isso, o Hemose grita em silêncio. O estoque de sangue está tão baixo quanto a autoestima do brasileiro após ver o preço do arroz. O apelo é urgente: “Doe sangue”. Mas parece que muitos preferem doar textão no Instagram. RH negativo virou relíquia rara, quase item de colecionador. E, entre uma selfie e outra, esquecemos que, às vezes, o herói que salva uma vida está na poltrona da recepção de um hemocentro, de braço esticado e coração generoso.
A política, claro, não quis ficar de fora desse teatro tragicômico. Alckmin, o diplomata que fala baixo e anda em cima do muro com equilíbrio de equilibrista, se reuniu com as big techs pra tentar resolver o tarifaço de Trump. Sim, ele mesmo, o maestro da fanfarra do absurdo, que decidiu cobrar 50% de impostos como se tudo fosse uma guerra comercial. Nos bastidores, Apple, Google e Meta devem ter feito mais careta que criança experimentando jiló.
E por falar em careta, o ex-presidente Bolsonaro continua preso na sua própria rede — não a social, mas a judicial. O ministro Alexandre de Moraes reforçou que o uso das redes está proibido para o ex-capitão. Nem entrevista, nem retransmissão, nem sequer um suspiro em áudio! Se Bolsonaro der bom dia num grupo de WhatsApp, corre o risco de ser preso por reincidência comunicativa. O silêncio dele virou patrimônio nacional — e tem gente que já está pedindo tombamento.
Nos Estados Unidos, um piloto da Delta evitou que um bombardeiro militar virasse enredo de filme catástrofe em pleno céu da Dakota do Norte. Aplausos para o comandante, que desviou do míssil voador com a destreza de um dançarino de frevo em desfile de carnaval aéreo. Depois do pouso, o piloto explicou calmamente aos passageiros o motivo da manobra. Alguns ainda tremiam, outros queriam selfie com o novo herói americano, e teve quem dissesse: “Esse sim merece o Oscar de melhor roteiro adaptado da vida real”.
E se o céu da Dakota foi agitado, o da Ucrânia virou inferno. A Rússia, como um titã depravado, lançou mísseis e drones como quem espalha cartas de desespero. Duas vidas a menos, quinze feridos, e um país inteiro tentando sobreviver à insanidade de um homem que parece jogar War com peças humanas. Zelensky, cada vez mais com olhar de quem dorme pouco e chora muito, segue pedindo paz num mundo que responde com fogo.
Num dia em que postes caem, estoques sangram, aviões quase se chocam e líderes brincam de roleta russa com a diplomacia, o que nos resta? Resta sermos luz, ainda que em meio ao apagão. Resta doarmos sangue, tempo, palavras, afeto. Resta entendermos que a política, o comércio, a guerra e até o algoritmo do Instagram não valem uma só gota do que nos faz humanos.
Hoje, enquanto o poste tenta se reerguer, o sangue espera por você, o piloto respira aliviado, e a Ucrânia enterra mais dois filhos, que a gente olhe pro céu e entenda que viver é voo, é risco, é escolha. E que, no fim das contas, a energia que mais importa é a que colocamos em cada gesto de humanidade.




