CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 21 de Fevereiro de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 21 de Fevereiro de 2025
Publicado em 22/02/2025 às 10:13

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

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O tempo, esse velho relojoeiro de ironias, decidiu afinar os ponteiros do destino com um tom cômico e ácido. E lá vamos nós, navegando em um mar revolto de manchetes, onde a justiça dança, a economia soluça e a política se veste de teatro.

Comecemos pelo palco da Justiça Eleitoral, que, com ares de dramaturgia shakespeariana, declarou Pablo Marçal inelegível por oito anos. Sim, o homem que prometia revolucionar São Paulo com seu método infalível de “seja rico com mindset positivo” agora precisa de um bom mindset jurídico para reverter sua desventura. Diz ele que “não há provas”, mas o juiz viu ali mais propaganda que verdade, mais comercial que caráter, mais teatro que política. E assim, o palco se fecha para mais um influenciador que confundiu curtidas com votos, seguidores com eleitores, ilusão com democracia.

Enquanto isso, Sergipe protagoniza um drama respiratório: a Fiocruz alertou sobre o crescimento de casos de síndrome respiratória aguda. O ar pesa, os pulmões reclamam e o vento, antes brisa sergipana, agora sopra ameaças invisíveis. Talvez seja um recado da natureza, cansada de ser sufocada pela poluição, pelo descaso e pela pressa humana de lucrar. Enquanto o vírus se alastra, o governo segue sua coreografia de discursos e promessas, deixando a população na clássica espera: “aguardem, estamos monitorando a situação”.

E falando em ventos, uma brisa comercial atravessou os oceanos e trouxe um dilema econômico: o tarifaço de Trump pode aumentar a chegada de produtos chineses ao Brasil. Em um primeiro momento, o brasileiro até esfrega as mãos: “finalmente, celulares, roupas e quinquilharias a preço de banana!” Mas no segundo ato da peça, vem o efeito colateral: se a indústria nacional já caminhava com muletas, agora pode precisar de uma cadeira de rodas. O Brasil sempre flutuou entre ser um grande produtor e um eterno consumidor. Agora, pode ser o depósito do excedente chinês, enquanto Trump, com seu jeito peculiar de sacudir o tabuleiro global, brinca de protecionismo.

E por falar nele, o presidente dos memes e dos muros decidiu criar um novo atrito internacional. A Associated Press está processando o governo Trump após ser barrada de eventos por não chamar o Golfo do México de “Golfo da América”. O nomeado patriota de ocasião quer rebatizar mares, reescrever mapas e redefinir a geopolítica com o ego inflado de sempre. Como se um novo nome lavasse a história, como se a tinta da prepotência pudesse apagar a realidade. Mas a imprensa não se cala, e o palco da democracia não aceita scripts censurados.

E assim, mais um dia se despede, carregando manchetes como quem empurra um carrinho de feira: algumas frutas maduras, outras passadas, umas doces, outras ácidas. O Brasil segue seu bailado entre a esperança e o desalento, entre a justiça e a esperteza, entre o progresso e o retrocesso. Que venha o amanhã, com suas novas ironias, seus velhos desafios e suas eternas promessas de mudança.

Porque, no fim das contas, a única certeza é que o roteiro do mundo continuará sendo escrito com tintas de absurdo e pinceladas de esperança.