CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 21 de Agosto de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 21 de Agosto de 2025
Publicado em 22/08/2025 às 0:30

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

O dia amanheceu com febre e bolhas. São Cristóvão virou uma espécie de baile mascarado onde os convites não foram entregues em envelopes de papel, mas em pintas vermelhas estampadas na pele de quase 500 crianças. A catapora, essa velha senhora de vestido verde-musgo, resolveu abrir a temporada de visita sem mandar aviso. Suspenderam-se as aulas — e quem dera suspendessem também a velha mania de esperar a doença chegar para depois lembrar da prevenção. A escola virou silêncio, mas não silêncio de aprendizado concentrado: silêncio de carteiras vazias, giz abandonado e um quadro negro saudoso de vozes. Na Bélgica morreu irmã Bernadete uma freira belga que durante muitos anos residiu em Japaratuba ela juntamente com a igreja católica fez um trabalho social na comunidade japaratubense.

Enquanto isso, o céu sergipano decidiu brincar de vendaval. O Inmet anunciou: “Preparem-se, sopros de 40 a 60 km/h vão atravessar o sertão e o agreste.” O vento, esse poeta invisível, resolveu declamar sua fúria pelas frestas das portas e janelas, lembrando-nos que não é apenas o coração humano que se desestabiliza com tempestades. A vida, afinal, é um eterno ensaio de resistência contra rajadas.

E por falar em resistência, a ponte Aracaju-Barra vai se interditar parcialmente. Não por greve, mas por cirurgia elétrica. O concreto, cansado de sustentar passos e pneus, pediu repouso técnico. O trânsito, claro, fará da paciência o novo pedágio: buzinas desafinadas e motoristas com cara de filósofo grego refletindo sobre o sentido da espera.

Mas o prêmio de cena mais surreal foi em Nossa Senhora do Socorro. A polícia, equipada com drone infravermelho, encontrou um suspeito de tentativa de homicídio dentro de um galinheiro, escondido em uma caixa d’água. O homem parecia personagem de desenho animado: acuado, suado e cercado por galinhas que, se falassem, gritariam “Cocoricó, eis o fugitivo!” O galinheiro virou tribunal e o drone, juiz celeste de asas tecnológicas.

Enquanto o galinheiro julgava, o mundo se armava. Lula voou até a Colômbia para discutir a Amazônia, mas a sombra pairava não das árvores, e sim dos navios militares americanos rondando a Venezuela. Disseram que era contra cartéis de drogas, mas os vizinhos sentiram cheiro de pólvora travestida de diplomacia. A Amazônia pede chuvas, mas recebe ameaças em alto-mar.

E como se não bastasse, a Justiça Federal corretamente resolveu dar 60 dias ao YouTube para proteger crianças de publicidades abusivas. O curioso é que a criança precisa de resguardo virtual, enquanto no real continua vulnerável — sem escola, sem vacina e, às vezes, sem pão. A lei corre atrás de vídeos, mas esquece das bolhas na pele das crianças de São Cristóvão.

A Polícia Federal, por sua vez, revelou um juiz com a toga forrada de propina: R$ 6 milhões em favores e sentenças vendidas. A justiça virou mercado, e o magistrado, um camelô de vereditos, oferecendo decisões como quem vende bugigangas em feira livre. O martelo não desceu por convicção, mas pelo tilintar de moedas.

Na Câmara, a promessa de Lula saiu do palanque e quase entrou na carteira: isenção de IR até R$ 5 mil. A plateia dos assalariados já ensaia aplausos, mas ainda teme o truque final — porque no Brasil a mágica sempre tira da cartola mais impostos do que coelhos.

Enquanto isso, em Jerusalém e Gaza, números frios revelam calores humanos: 83% dos mortos são civis. Cada estatística é um nome engolido pelo silêncio, cada porcentagem é uma mãe enterrando seu próprio futuro. A guerra não é manchete: é cortejo fúnebre narrado por telejornais.

E em Miami, um magnata cubano resolveu afrontar Trump com outdoors. Não com poesia, não com armas, mas com letreiros luminosos desafiando o mito do laranja. No fundo, é como se Don Quixote trocasse lanças por placas de LED para lutar contra os moinhos modernos da política americana.


Hoje, o Brasil e o mundo parecem palco de tragédias misturadas a comédias grotescas. Do galinheiro high-tech ao juiz milionário, do vento que sopra forte ao silêncio das carteiras infantis, cada notícia é uma metáfora do nosso tempo: um tempo em que a verdade se esconde em caixas d’água, em que a justiça se vende em parcelas.

E nós, espectadores deste teatro de absurdos, ficamos entre o riso e o choro. Porque rir é resistência, mas chorar é humano.

No fim, resta a reflexão: o que mais nos assusta — o vendaval que derruba telhados ou os ventos da corrupção que derrubam esperanças?