CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 20 de julho de 2025 – Dia do Amigo
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
Num domingo de céu fechado e alma aberta, o Brasil acordou com o coração afogado em lágrimas e manga madura perdendo o voo. A vida, essa sambista imprevisível, nos puxou pelo braço para dançar um bolero entre o luto, o riso e a indignação — e a pauta do dia veio temperada com drama, sátira e uma pitada de suco de fruta tropical barrado na alfândega.
Comecemos pela dor que nos atravessou como flecha em noite de lua cheia: Preta Gil partiu.
Sim, a guerreira de voz grave e alma colorida, que cantou o amor em todas as cores e enfrentou o câncer como quem encara um dragão de metástases, caiu em combate. Partiu nos braços da resistência, nos palcos do afeto e no eco dos que nunca se calam. Nova York virou cenário de despedida, e o Brasil chorou em tom maior. A filha de Gil, a neta de Jorge, virou estrela na constelação de mulheres que não se dobram.
Enquanto isso, em solo sergipano, o vice-governador Zezinho Sobral, que comanda a Educação estadual, sentiu o peso do sol, do sal e, talvez, da pressão de ser o maestro de uma orquestra educacional desafinada. Passou mal na Caueira — talvez o corpo tenha gritado o que os professores já sussurram há tempos: educação por aqui anda com febre alta e merenda fraca. Zezinho está estável, dizem. Já a educação, essa segue na UTI há anos.
E enquanto a política sossobra na areia, o mar nos deu um respiro poético: Astro, o peixe-boi-marinho, foi declarado patrimônio natural de Sergipe. Palmas para ele! Astro, que flutua sereno desde 1998 nas águas entre Sergipe e Bahia, agora tem mais reconhecimento que muitos servidores públicos. Um peixe-boi que virou símbolo, talvez por ser um dos poucos seres que conseguem viver em paz por aqui — mesmo rodeado de gente que suja os rios e suga o orçamento.
Mas o momento pastelão da ópera veio com sotaque de caubói laranja. O bosta presidente dos Estados Unidos, Donald Trump — aquele que penteia o cabelo com vento e arrota tarifas como quem come feijoada de terno — deu um grande prejuízo: o tarifaço aplicado ao Brasil empacou 77 mil toneladas de frutas brasileiras. Mangas, melões e maracujás estão presos nos portos como se fossem suspeitos em uma blitz. A economia tropical balança, e os culpados têm nome e sobrenome: Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo, os coroinhas do altar trumpista. É tanto servilismo que até Astro, o peixe-boi, se envergonharia desses dois vira-latas sarnentos falsos patriotas.
E nos Estados Unidos, ironia maior, o Texas vive um dilúvio bíblico. Inundações trágicas deixaram 135 mortos — 36 deles, crianças. Lá, a água levou vidas; aqui, a seca de empatia e bom senso leva direitos. Triste espelho.
No fim deste domingo, 20 de julho, o Brasil parece um palco de tragédia grega com figurino tropical: tem luto, tem farsa, tem heróis improváveis e vilões previsíveis.
E nós, cronistas do caos, seguimos tentando colher flores no meio do asfalto rachado da realidade.
Entre peixes que viram patrimônio, políticos que quase desmaiam e frutas que não atravessam a fronteira, quem continua desaparecido mesmo é o bom senso.
E que me perdoem os otimistas, mas até Astro já entendeu: ou a gente aprende a nadar juntos… ou afundaremos como frutas esquecidas no porão da história.




