CRÔNICA
Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 20 de fevereiro de 2025
"O Preço da Justiça, o Sabor da Corrupção e o Sonho que Nunca Vem"
As notícias do dia 20 de fevereiro de 2025
Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
O sol nasceu cansado nesta manhã de fevereiro, espreguiçando-se no horizonte como quem já não tem ânimo para iluminar tanta desordem. As ondas da Beira Mar ainda carregavam o lamento de um ciclista atropelado, cujo algoz, por singelos R$ 150 mil, pôde respirar a liberdade como quem paga um ingresso VIP para um espetáculo de impunidade. A justiça, sempre ela, essa entidade de olhos vendados, parece ter aprendido a piscar seletivamente—ora cega, ora míope, mas raramente justa.
Enquanto isso, em Aracaju, novas empresas de limpeza urbana começam a operar. O que será varrido? As ruas ou a transparência? Os sacos de lixo ganham novos logotipos, mas o cheiro de contratos obscuros continua pairando no ar, como um perfume caro que tenta disfarçar a podridão que vem de dentro.
Já no Palácio da Alvorada, um novo capítulo da novela “Golpes, Vinho e Poder” é exibido sem cortes. Mauro Cid, esse cronista involuntário da desgraça nacional, revelou que um general, daqueles que deveriam honrar a farda, entregou dinheiro dentro de uma caixa de vinho. Ah, Brasil! Um país onde até a corrupção tem notas amadeiradas e retrogosto de descaso. Só falta o sommelier explicar se era um tinto encorpado ou um branco envelhecido na vergonha alheia.
No universo dos sonhos, a Mega-Sena continua a brincar de “faça-me rir”. O prêmio acumulado chega a R$ 120 milhões, um número que faz brilhar os olhos de quem ainda acredita no improvável. As bolas giram, os números dançam, e a esperança do pobre se estende como um bilhete amassado no bolso, à espera de um milagre que nunca vem.
Enquanto o dinheiro e a sorte brincam de esconde-esconde, lá no Vaticano, o Papa Francisco segue sua luta contra o peso dos anos e da fé que carrega sobre os ombros. Internado, ele melhora ligeiramente—como a esperança da humanidade, que às vezes respira, às vezes sufoca, mas nunca desiste de viver. Aos 88 anos, Francisco resiste, porque alguém precisa continuar rezando por esse mundo que esqueceu até como pedir perdão.
E lá no Panamá, um hotel de luxo virou prisão para 299 imigrantes deportados. Olhos aflitos espiam pelas janelas, mãos acenam pedindo socorro para um mundo que já virou as costas. Se fosse uma comédia, chamaríamos de “reféns do sonho americano”. Mas não é comédia, nem tragédia. É a vida real, essa peça mal escrita onde quem foge da miséria só encontra novas formas de sofrimento.
O sol, que nasceu cansado, agora se despede envergonhado. A noite desce, cúmplice de um mundo onde o crime tem preço, a corrupção tem paladar, e a sorte é o último refúgio dos que já não têm mais nada.
Boa noite, Brasil. Ou melhor, durma com essa.




