CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 20 de Agosto de 2025
O resumo do 20º dia de agosto de 2025.
As Manchetes do dia 20 de Agosto de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
O Brasil amanheceu hoje como um quadro de Picasso: cores fortes, formas distorcidas e personagens que parecem saídos de um pesadelo misturado com caricatura de cordel.
Em Riachuelo, o século XIX resolveu dar um rolê no XXI. Um homem — que já devia estar trancafiado há anos — decidiu brincar de senhor de engenho, mas sem açúcar, só com o fel da crueldade. Fez de crianças bonecos de pano para sua maldade, apertando com alicate os risos que deveriam brotar como flores na infância. A ironia mais amarga é que ele estava foragido desde 2018, e nesse tempo a liberdade dele custou as algemas da liberdade de tantos pequenos. O país que se gaba de ser democrático ainda deixa meninos e meninas algemados por mãos covardes.
Enquanto isso, em Aracaju, os procuradores afiam suas canetas para dissecar a licitação do transporte público. Ah, o transporte coletivo: essa loteria diária em que o povo aposta sua paciência em troca de atrasos premiados. Prometem melhorias, mas cada ônibus ainda parece um boi de engenho: lotado, lento, cansado.
Na Câmara dos Deputados, formou-se um grupo de trabalho para proteger menores na internet. Bonita ideia, quase uma sinfonia de boas intenções. Mas sabemos: muitos desses grupos de trabalho viram orquestras sem maestro, tocando desafinado até o povo esquecer a melodia.
Do STF veio o recado de Alexandre de Moraes: bancos que quiserem bancar xerifes americanos no Brasil podem ser punidos. E com razão. A Constituição não é papel de pão para embrulhar sanções importadas. Aqui, os dólares que caem na praça não podem mandar mais do que a lei escrita com suor nacional.
Do outro lado da tela, a PF indiciou Allan dos Santos, o blogueiro incendiário, acusado de transformar a internet em uma fogueira medieval. O teclado virou sua espada, mas espada que não corta injustiças — só espalha brasas de ódio, aquecendo a polarização como um forno sem controle.
Já Lula, com seu caldeirão de políticas, resolveu cozinhar um prato novo: “Gás para Todos”. Uma panela que promete encher 17 milhões de cozinhas pobres. O problema é que o povo tem medo de panela cheia de promessa que, na hora da fome, vem só com o tempero da esperança e sem feijão. Mas pesquisas mostram que em São Paulo sua aprovação subiu, como pão no forno. Lula ainda divide o Brasil entre amores e rancores, mas parece que a chama da aprovação ainda não se apagou.
No palco internacional, Israel decidiu que Gaza será seu tabuleiro definitivo, e cada movimento é feito com tanques, não com peões. Enquanto isso, do céu, um meteoro no Japão fez a noite brilhar como se fosse um flash cósmico, lembrando que o Universo não pede licença para interromper nossa guerra de egos.
E no meio desse turbilhão, a Palestina, pela primeira vez, terá uma representante no Miss Universo. É a poesia da resistência: um povo sem Estado, mas com voz, desfilando não em trincheiras, mas em passarelas. Porque, às vezes, a beleza é a forma mais sutil de gritar liberdade.
O dia 20 de agosto de 2025 foi feito de paradoxos: a brutalidade de um alicate contra a inocência, o sonho de um botijão que vira política, o brilho de um meteoro diante da escuridão da guerra, e a beleza palestina transformada em bandeira. O mundo segue entre gritos e aplausos, entre prisões e passarelas.
E eu, professor Antonio Glauber, fecho o caderno desse dia com uma reflexão: enquanto uns querem apagar a luz da dignidade com alicates, outros ainda ousam acender o fósforo da esperança. Que o fogo do humano seja sempre mais forte que a ferrugem do desumano.




