CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 20 de abril de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
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Domingo de Páscoa. O dia em que os coelhos se tornam missionários do cacau, os sinos anunciam ressureições simbólicas, e as manchetes, como ovos escondidos no jardim da realidade, aguardam ansiosas para serem quebradas — ou engolidas com um gole de café e uma pitada de sarcasmo.
Logo de cara, temos Hugo Calderano, nosso gladiador do pingue-pongue, subindo ao pódio como quem sobe num altar. O brasileiro que não tinha pedigree europeu nem linhagem asiática, mas tinha raquete na mão e fé nos pulsos. Enfrentou o líder do ranking mundial como quem desafia um dragão com uma colher de pau. E venceu! Não foi milagre de Páscoa, foi treino, suor e um toque divino na munheca. O mundo girando e a bolinha também — e nessa dança cósmica, Hugo provou que, no tênis de mesa, o Brasil não veio só pra bater palma, mas pra bater campeão.
Enquanto isso, em terras sergipanas, o Detran, esse monastério da burocracia, acende suas velas digitais lembrando aos fiéis da frota automotiva que é tempo de penitência: pagar o licenciamento. Placas finais 1 e 2, atenção! É o dízimo da roda, a indulgência do escapamento. Quem não pagar, que se prepare para o flagelo dos fiscais — modernos inquisidores a bordo de tablets.
E falando em fé, no Vaticano, o Papa Francisco viveu seu último domingo pascal com a serenidade de um santo e a leveza de quem já caminhava com um pé no céu e outro no papamóvel. A Missa foi do balcão, o abraço foi de alma, e o encontro com o vice dos EUA foi diplomacia com bênção. Francisco, o Papa que usava mais a sandália da humildade do que o trono dourado, se despediu como viveu: sem pompa, mas com poesia. Talvez ele não tenha celebrado a missa completa, mas celebrou a vida inteira como um evangelho ambulante.
E falando em evangelho, vamos às universidades brasileiras. Enquanto nos EUA a educação é vendida a prestação, aqui temos uma autonomia com a cara do Brasil: capenga, mas viva. A Constituição garante recursos mínimos, como quem joga um osso ao cachorro e diz “se vira”. Já os americanos apostam na tríade fé, mercado e fortuna: Deus abençoe quem puder pagar. No Brasil, a universidade é um bote salva-vidas que ainda flutua apesar dos furos — flutua porque há quem reme contra a correnteza.
E assim termina o domingo: com um Papa à beira da eternidade, um campeão à mesa de um milagre esportivo, um Detran à caça dos inadimplentes, e um país tentando entender se é mais fácil pagar a faculdade ou atravessar o Mar Vermelho a pé seco.
O coelhinho da Páscoa, esse sindicalista da doçura, talvez esteja cansado. Mas nós seguimos. Com a alma cheia de chocolate, os olhos marejados de emoção, e o coração tentando, entre uma notícia e outra, ressuscitar a esperança que o noticiário insiste em crucificar.
Feliz Páscoa a todos. Que vença o Hugo, que fique a bênção, que passem as placas e que a universidade não vire só lembrança.
— Professor Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE




