CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 20 de abril de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 20 de abril de 2025
Publicado em 21/04/2025 às 12:59

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

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Domingo de Páscoa. O dia em que os coelhos se tornam missionários do cacau, os sinos anunciam ressureições simbólicas, e as manchetes, como ovos escondidos no jardim da realidade, aguardam ansiosas para serem quebradas — ou engolidas com um gole de café e uma pitada de sarcasmo.

Logo de cara, temos Hugo Calderano, nosso gladiador do pingue-pongue, subindo ao pódio como quem sobe num altar. O brasileiro que não tinha pedigree europeu nem linhagem asiática, mas tinha raquete na mão e fé nos pulsos. Enfrentou o líder do ranking mundial como quem desafia um dragão com uma colher de pau. E venceu! Não foi milagre de Páscoa, foi treino, suor e um toque divino na munheca. O mundo girando e a bolinha também — e nessa dança cósmica, Hugo provou que, no tênis de mesa, o Brasil não veio só pra bater palma, mas pra bater campeão.

Enquanto isso, em terras sergipanas, o Detran, esse monastério da burocracia, acende suas velas digitais lembrando aos fiéis da frota automotiva que é tempo de penitência: pagar o licenciamento. Placas finais 1 e 2, atenção! É o dízimo da roda, a indulgência do escapamento. Quem não pagar, que se prepare para o flagelo dos fiscais — modernos inquisidores a bordo de tablets.

E falando em fé, no Vaticano, o Papa Francisco viveu seu último domingo pascal com a serenidade de um santo e a leveza de quem já caminhava com um pé no céu e outro no papamóvel. A Missa foi do balcão, o abraço foi de alma, e o encontro com o vice dos EUA foi diplomacia com bênção. Francisco, o Papa que usava mais a sandália da humildade do que o trono dourado, se despediu como viveu: sem pompa, mas com poesia. Talvez ele não tenha celebrado a missa completa, mas celebrou a vida inteira como um evangelho ambulante.

E falando em evangelho, vamos às universidades brasileiras. Enquanto nos EUA a educação é vendida a prestação, aqui temos uma autonomia com a cara do Brasil: capenga, mas viva. A Constituição garante recursos mínimos, como quem joga um osso ao cachorro e diz “se vira”. Já os americanos apostam na tríade fé, mercado e fortuna: Deus abençoe quem puder pagar. No Brasil, a universidade é um bote salva-vidas que ainda flutua apesar dos furos — flutua porque há quem reme contra a correnteza.

E assim termina o domingo: com um Papa à beira da eternidade, um campeão à mesa de um milagre esportivo, um Detran à caça dos inadimplentes, e um país tentando entender se é mais fácil pagar a faculdade ou atravessar o Mar Vermelho a pé seco.

O coelhinho da Páscoa, esse sindicalista da doçura, talvez esteja cansado. Mas nós seguimos. Com a alma cheia de chocolate, os olhos marejados de emoção, e o coração tentando, entre uma notícia e outra, ressuscitar a esperança que o noticiário insiste em crucificar.

Feliz Páscoa a todos. Que vença o Hugo, que fique a bênção, que passem as placas e que a universidade não vire só lembrança.

— Professor Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE