CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 19 de junho de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 19 de junho de 2025
Publicado em 19/06/2025 às 21:49


Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


O dia 19 de junho de 2025 foi um Corpus Christi entre véus e bastidores, um palco onde a fé caminhava entre tapetes floridos e manchetes manchadas. Era feriado de alma e trabalho do espírito, mas os jornais não descansaram — suas páginas continuaram a rezar por uns, chorar por outros, rir de muitos e ironizar quase tudo.

Na primeira cena, o silêncio da TV ficou mais alto: Francisco Pimentel Franco, um dos sócios da velha senhora de imagens, a TV Sergipe, saiu do ar para sempre. Partiu como quem fecha os olhos ao final de uma transmissão — sem cortes comerciais, sem reprise. Um empresário de letras maiúsculas, que viveu o tempo da televisão em preto e branco e morreu vendo o mundo em 4K de indignações.

Logo depois, caiu o pano da vida de outro Francisco — o Cuoco — astro das novelas que nos ensinou a sofrer com elegância e amar com pontuação dramática. Deixou o palco da existência aos 91, com mais de 60 anos de falas decoradas e sentimentos encenados. Sua partida foi um capítulo final com trilha sonora de silêncio e saudade. A televisão, essa eterna novela chamada Brasil, perdeu dois de seus protagonistas: um nos bastidores, outro sob os refletores.

Mas, como todo bom roteiro brasileiro, não há tempo para luto sem escândalo. Carla Zambelli, aquela personagem que parece ter saído de um spin-off de House of Cards versão caricata, recebeu notificação para apresentar sua defesa. Cinco sessões. Cinco atos. Se vai ser drama, farsa ou tragicomédia, só o plenário dirá.

E enquanto Carla ensaia sua defesa, um outro ator de janeiro de 2023 — aquele que destruiu o relógio de Dom João VI, símbolo do tempo e da República — saiu de cena sem tornozeleira. A justificativa? Não havia equipamento. O Brasil, esse país continental, não tem tornozeleira eletrônica suficiente, mas tem paciência pra assistir o tempo escorrer como areia de ampulheta quebrada.

Nos bastidores da inteligência nacional, a Abin paralela virou roteiro de investigação. O protagonista? Jair Bolsonaro, que parece viver sua própria série documental de episódios judiciais. O relatório da PF veio como roteiro de desvendamento: cenas fortes, personagens dúbios, e um enredo onde a verdade se arrasta entre dossiês e delações.

No palco da economia global, a Colômbia escolheu sentar-se à mesa dos BRICS — mas só no banco, não no banquete. Quer emprestar, não se comprometer. É como aquele vizinho que aparece só na hora do café, mas não ajuda a lavar a louça das guerras.

Falando em mesa, o Brasil foi servido com um motivo de orgulho gourmet: o restaurante Lasai, do Rio, entrou na lista dos 50 melhores do mundo. Em meio à fome de tantos, o sabor da elite tempera o ranking com flores comestíveis e espumas de raiz. Nada contra o chef, mas seria bonito ver a escola pública no mesmo pódio, servindo educação com três estrelas Michelin da dignidade.

E por fim, o G7 — esse conselho de velhos senhores engravatados — pediu paz entre Israel e Irã, enquanto os Estados Unidos ficaram de fora. Talvez estivessem ocupados com seus próprios conflitos internos ou apenas decidiram não se intrometer onde já têm as mãos mergulhadas. Ironia ou estratégia, fica a dúvida: quem pode propor paz quando carrega granadas no bolso do paletó?

O dia 19 foi um espetáculo onde Corpus Christi caminhava entre as pétalas da fé e os espinhos do noticiário. Um dia em que o sagrado e o profano almoçaram juntos — talvez até no Lasai, entre pratos com nomes impronunciáveis e realidades indigestas.

E no meio disso tudo, o povo brasileiro segue como coadjuvante com talento de protagonista, fazendo do pão dormido poesia, da fé resistência e da indignação, arte. O Brasil continua sua peça sem ensaio, mas com muita emoção — e como sempre, com o público aplaudindo de pé… ou tentando não tropeçar no tapete.