CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 19 de julho de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
No picadeiro geopolítico deste 19 de julho, os palhaços não usam nariz vermelho, mas sim gravata, fones de ouvido em tradutores simultâneos e uma aptidão desgraçada pra empurrar o planeta pro abismo com um sorriso cínico no rosto.
Enquanto a Ucrânia tenta, mais uma vez, acender vela em cemitério de tanques e esperanças, Zelensky canta um bolero diplomático, oferecendo à Rússia mais um convite para dançar. O problema é que o Kremlin ainda tá de braço cruzado no canto do salão, de costas pro som, bufando fumaça e afiando a baioneta. Paz, nesse tabuleiro, é uma peça de xadrez com a cabeça quebrada.
Mas passemos da guerra à guerra disfarçada: a economia. A AGU resolveu puxar o fio do novelo financeiro que liga os “espertinhos” que souberam antes de todos sobre o tarifaço do Trompete Laranja – sim, aquele mesmo, o presidente que, na Casa Branca, tenta se tornar o maestro do caos mundial. Houve quem fizesse fortuna da noite pro dia, surfando no tsunami cambial como se soubesse o horário exato da onda. Coincidência? Só se a Terra for plana e o dólar flutuar por milagre.
E já que o tema é milagre, vamos falar do ENEM dos concursos. O apocalipse das provas objetivas ganha um novo capítulo: inscrições encerradas, e Sergipe será palco de um duelo moderno entre gladiadores do saber. Gente estudando mais do que seminarista em véspera de ordenação. São vagas douradas, com salários que começam em R$ 4 mil e sobem como foguete em direção aos R$ 16 mil. Mas, como toda corrida do ouro, nem todo mundo vai achar pepita – alguns vão tropeçar no barro da ansiedade e outros cair no poço da desigualdade.
Enquanto isso, no asfalto escaldante das rodovias sergipanas, a fauna tenta resistir aos descuidos da espécie humana. Mais de 200 animais foram resgatados em 2025. O que deveria ser estrada virou campo minado para jumentos, vacas e porcos abandonados – vítimas de tutores que tratam a vida como trapo. A cada bicho salvo, um grito de alívio. A cada bicho atropelado, um epitáfio não escrito na beira da BR.
É estranho viver num mundo em que até a paz precisa agendar reunião, o real vale menos que o dólar profanado por insiders, o Estado oferece empregos com salário de rei e cara de esfinge, e o bicho solto paga pelos pecados de gente frouxa.
Enquanto isso, seguimos na montanha-russa da realidade, com cinto frouxo, fé firme e um humor de quem já entendeu que o Brasil é um grande enigma em forma de samba, onde o refrão nunca rima, mas a gente canta assim mesmo.




