CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 19 de Agosto de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
O dia 19 de agosto de 2025 amanheceu como um palco iluminado, mas não por estrelas cadentes nem por vaga-lumes apaixonados — e sim por fios elétricos de debates, faróis de ironias e lâmpadas piscando em tribunais. Era como se o Brasil tivesse contratado Shakespeare para escrever tragédias, mas acabou entregando o roteiro para Ariano Suassuna temperar com humor, sátira e um pouco de cuscuz nordestino.
Na Câmara Municipal de Aracaju, a CPI do Natal Iluminado se reuniu como se fosse um coral de pastores cantando em agosto. Luzes que brilham mais do que a conta de energia da população, contratos que parecem pisca-piscas enroscados, e políticos que se acotovelam para decidir quem é o verdadeiro Papai Noel da verba pública. Enquanto isso, o povo continua no escuro, pagando a fatura como se fosse penitência natalina fora de época.
Já em Brasília, o circo pegou fogo. A Câmara correu para aprovar um projeto que pune quem ousar impedir fisicamente o funcionamento da Casa. Traduzindo: quem tentar acampar no plenário vira réu. O curioso é que muitos dos que hoje escrevem leis, ontem estavam exatamente deitados no tapete do plenário, embalados pela doce canção do protesto. É a ironia com endereço certo: o legislador que ontem foi manifestante hoje se transforma em porteiro de si mesmo, trancando a porta para não ser incomodado.
O motivo do motim? Parlamentares indignados com a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, pedindo anistia como se fosse liquidação de supermercado: “leve dois erros, pague com um perdão”. A democracia, coitada, virou refém de cartazes improvisados e discursos inflamados, tremendo como vela em tempestade.
E como se não bastasse o tempero nacional, da Colômbia chega a notícia: a Justiça mandou soltar o ex-presidente Álvaro Uribe, condenado por suborno e fraude processual. Doze anos de prisão domiciliar evaporaram como gelo em panela quente. A América Latina continua sendo esse romance mal traduzido, onde políticos que deveriam estar na galeria da vergonha sempre encontram a chave da porta dos fundos.
No fundo, a sensação é que vivemos em um grande presépio de marionetes: um Natal eterno de luzes suspeitas, um Congresso transformado em arena de gladiadores que brigam por seus próprios escudos, e vizinhos que soltam seus fantasmas pela janela do tribunal.
Enquanto isso, o povo — sempre o povo — continua com a mesma pergunta na boca: “e eu, ganho o quê com esse espetáculo?” A resposta ecoa no silêncio como sino desafinado: ganha a conta, ganha a ressaca democrática, ganha a certeza de que viver na América Latina é assistir a uma série sem fim, onde cada temporada repete os mesmos personagens, apenas trocando as fantasias.
E eu, de minha cadeira em Japaratuba, sigo rindo com lágrimas nos olhos: porque a tragédia é tão cômica que, se não rirmos, corremos o risco de acreditar que isso tudo é sério.




