CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 18 de junho de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 18 de junho de 2025
Publicado em 19/06/2025 às 12:34


Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


Era uma vez um livro chamado 18 de junho de 2025, com páginas escritas em suor, milho assado e lágrimas diplomáticas. Abri a primeira página e encontrei um arraial com mais poesia que política: na Escola Municipal Professor Emiliano Nunes de Moura, a festa virou resistência, e a resistência virou festa.

Tinha gincana relâmpago, como se São Pedro soprasse nos balões pra ver quem voava mais alto; barracas de comidas típicas que alimentavam o corpo e a memória; garota caipira com brilho no olhar e dignidade na saia rodada; e até música junina em Libras — porque a inclusão, ali, dançava quadrilha de mãos dadas com a empatia.

Mas bastou virar a página para o livro virar tragédia grega em cenário nordestino: MP e TCE encontraram escolas com sede e esgoto a céu aberto. Enquanto uns bebem champanhe em taças de cristal nas cúpulas do poder, outros alunos sorvem água barrenta em copos rachados de esperança. É o Brasil onde o saneamento básico ainda é artigo de luxo — como se limpar o futuro das crianças fosse um investimento de risco.

Na Câmara de Aracaju, os dados foram lançados — e não estamos falando de estatística. Com 14 votos a 7, os nobres edis aprovaram a criação de uma loteria municipal. Aracaju agora aposta na sorte enquanto falta política pública. É como se dissesse: “Não deu certo com plano de governo? Tente agora com raspadinha!”. Que os deuses do bingo nos livrem dos políticos que jogam dados com o destino da população.

E por falar em sorte, um secretário municipal conseguiu escapar de Israel, onde a tensão política virou pólvora diplomática. Um verdadeiro jogo de tabuleiro global, onde algumas peças conseguem fugir pela porta da frente, enquanto outras ficam presas no cheque-mate da burocracia.

Mas o capítulo mais sombrio está nas entranhas do poder paralelo: a ABIN virou novela de espião canastrão, onde documentos secretos viraram scripts de live política. A Polícia Federal revelou que a agência de inteligência, ao invés de proteger a República, virou roteirista do reality-show de 2021, estrelado por um ex-presidente, coadjuvado por teorias da conspiração e figurinos de fake news. É o Brasil onde até a espionagem perdeu o glamour e virou PowerPoint de quinta.

Enquanto isso, os EUA resolveram bancar o Big Brother dos vistos, exigindo que estudantes brasileiros abram as portas de suas redes sociais para espiadinhas nada amigáveis. “Se você não tem nada a esconder, por que tanto medo?”, perguntam, com a sutileza de um elefante invadindo o feed alheio. Mas quem garante que a privacidade não vale mais que o visto? Ou será que agora até o sonho americano vem com a cláusula: só se você deixar a alma logada?

No Oriente Médio, a tempestade não dá trégua: brasileiros esperam resgate no Irã, e o medo virou companheiro de quarto. São entre 50 e 200 corações batendo em solo que virou pólvora, aguardando um Brasil que ainda parece estar pegando carona no tapete mágico da lentidão diplomática.

E o Irã, por sua vez, resolveu declarar guerra também ao WhatsApp, acusando o aplicativo de ser espião a soldo de Israel. A era digital virou campo minado, onde até os emojis são suspeitos de traição. O mundo desaprendeu a conversar — e agora cada mensagem pode ser um ato de guerra.


E assim, leitores e leitoras, encerramos a leitura de mais um capítulo da epopeia contemporânea chamada Brasil. Neste livro, há forró e farsa, esperança e horror, política e poesia, gincana e gambiarra, sorteio e descaso.

Que possamos ser mais como a Escola Municipal Professor Emiliano com a alegria de uma gincana junina e que o Brasil aprenda que governar não é apostar no azar, nem improvisar espionagem barata, mas garantir, no mínimo, água limpa, dignidade e verdade.

Enquanto isso, a sanfona toca e o milho estoura: o Brasil segue em sua quadrilha de contradições.


Assina, com o chapéu de palha na cabeça e a caneta afiada na mão,
Professor Antonio Glauber – direto do Arraiá das Realidades de Japaratuba-SE.

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