CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 18 de julho de 2026

Por Antonio Glauber Santana Ferreira
O dia 18 de julho de 2026 acordou com o mundo parecendo um ônibus lotado em horário de pico: ninguém sabe direito onde vai descer, todo mundo se empurra e ainda aparece alguém dizendo que a viagem está sob controle. Em Aracaju, o Terminal do Mercado anunciou que entrará em reforma, e algumas plataformas serão temporariamente interditadas. Finalmente o velho terminal ganhará cuidados, porque até concreto envelhece, cansa e começa a pedir aposentadoria por insalubridade. Durante as obras, porém, o passageiro precisará carregar no bolso, além do cartão de transporte, uma bússola, um mapa do tesouro e talvez um curso intensivo de sobrevivência urbana. Plataforma muda daqui, ônibus sai dali, passageiro corre acolá… e o coletivo, criatura mitológica das cidades brasileiras, continuará surgindo no horizonte como eclipse: todo mundo sabe que existe, mas ninguém tem certeza da hora em que aparecerá. Que a reforma venha! Porque cidade que não cuida dos lugares por onde seu povo passa acaba transformando o cotidiano numa corrida de obstáculos em que o trabalhador já chega cansado antes mesmo de começar o expediente.
Enquanto Aracaju reforma plataformas, a Polícia Federal procura, segundo as notícias, os rastros internacionais do patrimônio de Daniel Vorcaro, acionando até a Interpol para seguir o perfume do dinheiro pelos Estados Unidos e pela Europa. Dinheiro grande é um bicho danado: quando pobre recebe salário, ele desaparece no supermercado antes de aprender a dizer “bom dia”; quando fortuna entra em investigação, parece criar asas, passaporte, conta bancária e vocação para turismo internacional. A suspeita é de patrimônio espalhado por propriedades e fundos em diferentes países, inclusive paraísos fiscais — esses lugares paradisíacos onde o dinheiro toma água de coco enquanto a Justiça procura a cadeira de praia. Se Sherlock Holmes investigasse certas fortunas modernas, abandonaria a lupa e pediria logo um GPS, três satélites e uma equipe de contadores com doutorado em caça ao tesouro. No fim, permanece a velha pergunta que atravessa os séculos de terno e gravata: por que alguns milhões parecem ter mais facilidade para atravessar fronteiras do que tanta gente que só deseja atravessar o mês?
E, enquanto o dinheiro supostamente brincava de esconde-esconde pelo planeta, a guerra continuava brincando com algo infinitamente mais precioso: vidas humanas. Um ataque massivo de drones ucranianos atingiu alvos logísticos na Rússia, deixando mortos e dezenas de feridos. A tecnologia, que deveria aproximar pessoas, curar doenças e abrir janelas para o conhecimento, continua sendo convocada para aperfeiçoar a velha estupidez humana. O drone voa sem coração, mas quem aperta o botão ainda tem um — ou deveria ter. De um lado, justificativas militares; do outro, sirenes, fumaça, sangue e famílias recolhendo os pedaços de uma manhã que nunca mais será inteira. A guerra é essa fábrica macabra onde políticos fabricam discursos, generais desenham setas nos mapas e gente comum paga a conta com lágrimas. Não existe aplicativo capaz de restaurar uma vida, nem inteligência artificial que devolva um abraço arrancado por uma explosão.
Assim terminou aquele sábado: Aracaju preparando plataformas para que seus ônibus continuem viajando, investigadores procurando fortunas que viajaram demais e drones cruzando céus que deveriam pertencer apenas aos pássaros, às nuvens e aos sonhos. Talvez a humanidade inteira esteja precisando de uma grande reforma — com interdição temporária das plataformas da ganância, da violência e da estupidez. O problema é descobrir qual ônibus nos leva de volta ao bom senso. Se alguém souber, avise depressa. Porque, pelo estado das notícias, a civilização parece estar no ponto há séculos… e o ônibus da sensatez continua atrasado.




