CRÔNICA
Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 18 de fevereiro de 2025
Uma terça-feira de notícias entre despedidas e apostas, entre tombamentos e reviravoltas, entre fôlego e guerra.
As Manchetes do dia 18 de fevereiro de 2025
Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
A vida é um teatro de cortinas imprevisíveis. Algumas se abrem para aplausos e triunfos, outras se fecham abruptamente, deixando no palco apenas a saudade. Hoje, o vento da saudade levou um amigo que perdeu uma batalha dura contra um câncer renal .O Subtenente da Polícia Militar Alex Fontes, colega dos tempos do curso de Geografia na Universidade Federal de Sergipe, partiu na madrugada, deixando em nós o eco de sua humildade , o traço de suas memórias e a certeza de que a justiça dos homens é passageira, mas a bondade que cultivamos é eterna. Que Deus o receba na ribalta celestial, onde os heróis descansam sem medo de novos combates. Meus Sentimentos para toda família !
Enquanto um coração silencia, outros batem frenéticos no compasso do PIX, que movimentou mais de R$ 8 bilhões em Sergipe só em janeiro. O dinheiro virou poeira digital, flutuando entre telas e senhas, trocando de bolso em frações de segundo. Já não há cheiro de cédula nem barulho de moedas. Agora, a riqueza corre por fios invisíveis, mas a desigualdade continua estampada nas esquinas, onde muitos sequer têm saldo para um café.
E por falar em coisas que desmoronam, o Iphan iniciou a vistoria de igrejas sergipanas em estado ‘ruim’ ou ‘péssimo’. São templos que um dia foram morada da fé e agora são ruínas à espera de salvação. A ironia é que, enquanto as paredes sagradas caem, algumas instituições blindadas pela hipocrisia seguem de pé, negociando indulgências no balcão da política.
Falando em política, Bolsonaro e Braga Netto descobriram que quem planta vento colhe tempestade. A PGR denunciou o ex-presidente, revelando que, enquanto o país ardia em chamas, havia generais de poltrona afiando a lâmina do golpe. “A tropa está com sangue nos olhos”, dizia uma mensagem. Mas esqueceram que o povo já aprendeu a enxergar além das fardas, e que a história, essa senhora teimosa, não se reescreve com discursos vazios.
E por falar em barris de pólvora, o Brasil decidiu entrar no fórum da Opep+, o clube seleto dos produtores de petróleo. Ambientalistas torceram o nariz, enquanto o governo sorriu para os cifrões. Entre a pressa do lucro e o grito da natureza, o país segue na encruzilhada: vender a alma para o carbono ou buscar um futuro menos inflamável?
Enquanto o jogo do petróleo se desenrola, outro jogo cresce sem freios. O governo autorizou mais 18 casas de apostas a operarem no Brasil. Apostamos na economia, apostamos no azar, apostamos até no improvável. Mas quem ganha mesmo são os donos dos cassinos e bets, enquanto o povo joga seus últimos trocados na roleta da ilusão.
Do outro lado do mundo, Trump voltou a minimizar a guerra na Ucrânia e sugeriu que Zelensky deveria resolver a paz com um aperto de mão e um sorriso forçado. Talvez Trump ache que geopolítica se resolve como reality show: uma ligação polêmica, uma reviravolta no enredo e um final conveniente para seus interesses. Mas, no tabuleiro da diplomacia, o rei não cai com tweets, e Putin segue avançando suas peças com sangue e pólvora.
Falando em batalhas, o Papa Francisco luta contra a pneumonia bilateral no hospital de Roma. Enquanto seu corpo enfrenta infecções, sua alma segue iluminada. O boletim diz que ele está de bom humor – talvez porque saiba que a verdadeira eternidade não está no tempo de vida, mas no legado de amor que deixamos.
E para fechar o noticiário com um voo perigoso, um helicóptero chinês passou a 3 metros de um avião filipino, em um impasse digno de filme de espionagem. Pequim e Manila trocam acusações como crianças brigando por um pedaço de terra, mas esquecem que, no jogo dos impérios, os soldados são descartáveis e a paz é sempre a primeira vítima.
E assim seguimos, entre despedidas e apostas, entre tombamentos e reviravoltas, entre fôlego e guerra. O mundo segue dançando em um baile de máscaras, onde uns perdem tudo, outros ganham sem esforço, e muitos apenas assistem, torcendo para que o próximo giro da roleta não nos tire também o pouco que nos resta.
Que venha o amanhã. Porque, como dizia um velho sábio, a vida segue, com ou sem cortinas abertas.




