CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 18 de abril de 2025
As manchetes do dia 18 de abril de 2025 sexta-feira santa
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
Era Sexta-feira Santa, e o mundo girava num compasso mais lento, como se o tempo respeitasse o silêncio do Calvário. As ruas cheiravam a incenso e memória, e os passos dos fiéis ecoavam como tambores de reverência no asfalto cansado de tanto trânsito e tão pouca fé. Enquanto as almas se penitenciavam na Via-Sacra pelas ruas de Aracaju, o Brasil e o mundo fazia a sua própria peregrinação: uma mistura de fogo, raquete, estrelas distantes e universidade blindada.
Comecemos pelo fogo — não o sagrado, mas o secular. Um prédio abandonado no bairro Industrial resolveu virar Fênix ao contrário: incendiou-se sem renascer, sem poesia, sem glória. Restaram cinzas, fumaça e o aviso mudo de que o abandono é o combustível mais inflamável das cidades. O Corpo de Bombeiros confirmou o óbvio: o que não se cuida, queima. Talvez essa seja a verdadeira metáfora de nossas políticas públicas: um galpão de promessas que o tempo transforma em brasas.
Enquanto isso, do outro lado do mundo, Hugo Calderano trocava o peso da cruz pelo peso da raquete. Em Macau, ele virou um jogo perdido contra o japonês Harimoto e fez história. Foi como se Davi tivesse vencido Golias, não com pedra, mas com efeito de topspin. O mesatenista brasileiro avançou às semifinais, garantiu medalha e provou que o Brasil também sabe fazer milagre na mesa — e não apenas nas CPI’s. Hugo é agora o único atleta não chinês na disputa. Um forasteiro no templo sagrado do tênis de mesa. Se vencer, será canonizado com o título, e nós, súditos do futebol, aprenderemos a rezar com olhos puxados e gritos de “vamos, Hugo!”.
Do calor da raquete ao frio intergaláctico, o noticiário também nos levou ao céu, ou melhor, ao vazio dele. O Paradoxo de Fermi bateu à nossa porta mais uma vez com sua pergunta cósmica: cadê todo mundo? Em uma galáxia com bilhões de estrelas, bilhões de planetas, bilhões de possibilidades… só o nosso WhatsApp continua sem resposta extraterrestre. Talvez os ETs nos evitem por vergonha alheia ou medo de serem convocados pro Big Brother. Vai saber.
E se a vida insiste em se esconder nas galáxias distantes, o planeta K2-18 b resolveu dar um sinalzinho. Cientistas estão empolgados, dizem que pode haver vida por lá — mas com aquela cara de quem já se decepcionou muito com promessas. Falta peça nesse quebra-cabeça, falta foto 3×4 do alienígena e um exame de sangue assinado pelo James Webb. Enquanto isso, seguimos como criança espiando o céu com luneta, esperando que alguém do outro lado responda: “Sim, tem vida aqui. Só não queremos contato.”
E como se não bastassem as estrelas do céu, falemos da estrela da elite: Harvard. A universidade mais rica do mundo, com seu cofrinho abarrotado, enfrentando agora a tempestade política de Donald Trump. O presidente canalha cortou verbas, ameaçou tirar benefícios, tentou fazer da inteligência refém da ignorância. Mas Harvard, com sua fortuna, parece mais preparada para o Apocalipse do que muita nação soberana. Se Trump é o vendaval, Harvard é o castelo de concreto armado com livros, becas e doações bilionárias. Enquanto a Casa Branca vocifera, a universidade toca seu violino dourado no convés da civilização.
E assim foi o dia 18 de abril de 2025, uma Sexta-feira Santa entre o sagrado e o profano, entre brasas e galáxias, entre Via-Sacra e Via-Láctea. Um dia de cruzes carregadas por fiéis e por atletas, por prédios abandonados e por ideias incendiadas. Que Deus nos abençoe, que Hugo nos inspire, que o prédio nos alerte, que os ETs nos respondam — e que Harvard nos empreste um pouco de sua sabedoria… ou ao menos seu fundo de reserva.
Porque viver, meu caro leitor, é um eterno confronto entre os silêncios da fé e os ruídos da notícia. E, se não formos santos, sejamos ao menos poetas de nossas próprias ressurreições.




