Crônica
Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 17 de outubro de 2025
Por Antônio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
O dia amanheceu com o sol calçando chuteiras. Sexta-feira, 17 de outubro, no campo de Futebol Tosão em Japaratuba, a Escola Municipal Professor Emiliano Nunes de Moura fez uma arena de sonhos, suor e risadas no último dia dos jogos interclasse. A bola, essa filósofa redonda, ensinava lições que nenhum livro ousa escrever: que a vida é feita de passes, dribles e quedas, mas o importante é continuar jogando. No gramado, cada chute tinha a força de uma esperança e cada gol, o grito engasgado de uma juventude que acredita no amanhã, mesmo quando o placar da realidade insiste em marcar zero a zero.
Enquanto isso, do outro lado do estado — e da vida — a ex-primeira-dama Ana Luíza Dortas Valadares despedia-se do palco terreno. Partiu silenciosa, como quem entende que a cortina precisa cair para que o aplauso da eternidade comece. A morte, essa artista que não dá entrevistas, preferiu o mistério à explicação. E lá estava Aracaju, entre flores e lembranças, transformando o Cemitério Colina da Saudade em um jardim de memórias.
O céu, talvez comovido, ficou em silêncio por alguns minutos — justo ele, que vive de falar em trovões e cochichar em ventos. A vida, sempre vaidosa, continuou desfilando seu espetáculo, indiferente à plateia que chora na primeira fila.
Mas, no tabuleiro do mundo, os grandes jogadores da política internacional também ensaiavam seus dribles. O chanceler Mauro Vieira reuniu-se com Lula para comentar seu encontro com Marco Rubio — uma conversa que, dizem, teve mais curvas que um contra-ataque argentino. Do outro lado do planeta, Trump, o homem que fala como quem sopra vendavais, resolveu recuar: reconheceu que a tarifa de 100% sobre a China não era sustentável. Ora, quem diria! O leão econômico do norte percebendo que rugir demais pode assustar até o próprio espelho.
E a China, velha sábia de olhos de jade, respondeu com o pragmatismo de quem entende o jogo: “vamos conversar o mais rápido possível”. A economia global, que vive de sustos e apostas, respirou aliviada — ainda que o ar continue sendo vendido em cotas na bolsa do capital.
Enquanto os gigantes discutem tarifas, o gigante Brasil tenta não ser driblado dentro de casa. O INSS, cansado de ver os velhos guerreiros aposentados sendo enganados em campo, suspendeu acordos com quatro bancos — Inter, Facta, Cobuccio e Paraná Banco. A justificativa: proteger o “interesse público”. Uma frase bonita, dessas que ficam lindas em papel timbrado, mas que o aposentado gostaria de ver impressa no extrato bancário, em forma de “saldo positivo”.
A verdade é que, entre um chute certeiro no campo e um golpe certeiro no contracheque, o brasileiro segue equilibrando-se entre o sonho e o boleto.
E assim, enquanto os alunos(as) vibravam com gols e medalhas, o país seguia driblando suas próprias faltas: corrupção, desigualdade, juros altos e esperanças baixas. O apito final do dia soou como um lembrete poético — que viver, no Brasil, é disputar uma eterna prorrogação: ora com fé, ora com ironia, sempre com o coração pulsando na arquibancada.
No fim da tarde, o sol se pôs como um goleiro cansado que finalmente aceita o empate. E lá do alto, Deus deve ter sorrido, olhando para Japaratuba e pensando: “se a humanidade jogasse com o mesmo amor desses meninos e meninas, o mundo seria campeão de paz.”
Saudações,
Professor Antônio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE




