CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 17 de junho de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
Respeitável público leitor,
Puxem a lona do tempo, acendam o picadeiro da realidade e preparem o coração, pois o espetáculo tragicômico da terça-feira, 17 de junho de 2025, está prestes a começar! O circo da vida armou sua tenda em Sergipe, Buenos Aires, Washington e até nas labaredas de Estância.
A primeira cena é embalada por triângulos e zabumbas: o turismo em Sergipe dança forró com a economia, como quem troca passos sob uma lua cheia de esperança. A fogueira da cultura arde alto, aquecendo pousadas, enchendo bares e colorindo sorrisos. Mas cuidado: em tempos de pão seco, qualquer balão vira promessa de milagre. E milagre, no Brasil, só se for de São João ou de marketing político.
Enquanto o povo pinga suor de alegria, duas estrelas caem do céu jornalístico: Mônica Pinto e André Barros silenciam suas vozes em meio ao barulho do mundo. A pena que escrevia se deita. A lente que captava se apaga. Perdemos não só dois profissionais, mas dois faróis numa estrada de manchetes cada vez mais confusas. Que a eternidade lhes seja uma boa edição.
A seguir, o ato das chamas: Estância virou carvão em partes, num incêndio que devorou a casa, mas não feriu ninguém. O fogo, sempre dramático, entra como personagem coadjuvante nesse teatro de perdas. A casa queimada é metáfora do Brasil: madeira antiga, estrutura frágil e uma faísca de descaso vira desespero em minutos. Mas a manchete termina com alívio: ninguém ficou ferido. Ainda bem. Nem toda tragédia precisa de sangue pra doer.
E agora, senhoras e senhores, o número mais esperado do espetáculo: os mágicos do Congresso Nacional, com seus ternos caros e rostos emoldurados por cinismo, puxam da cartola o Fundo Partidário. A plateia esperava coelho… e saiu um porquinho gordo de R$ 1,3 bilhão! Isso mesmo! Em tempos de filas no SUS, escolas com goteiras e merenda parcelada, os nobres parlamentares decidiram que a inflação não deve comer só o pão do povo — ela também deve engordar a festa dos partidos. É o circo da democracia tropical, onde o voto do pobre banca a champanhe do político.
A lona então se estende até Buenos Aires, onde Cristina Kirchner troca o palácio pela tornozeleira, a faixa presidencial por correntes invisíveis. Prisão domiciliar: o cárcere dos privilegiados. “Porque tem mais de 70 anos”, dizem. No entanto, a corrupção não envelhece. Nem se aposenta. Apenas muda de endereço e de pulseira.
Enquanto isso, do outro lado do planeta, Donald Trump brinca de guerra como quem ensaia um filme de ação de quinta categoria. Avalia bombardear o Irã — como quem avalia o cardápio do caos — e, em troca, o Irã promete devolver o “agrado” com mísseis americanos de brinde. O mundo assiste, de camarote incinerado, à arrogância de um homem que confunde ego com exército. E se depender de Trump, o G7 será apenas a sétima temporada do apocalipse.
No fim do espetáculo, entre pipocas queimadas e palhaços tristes, a pergunta ecoa pelo picadeiro planetário:
“Quem é que escreve esse roteiro? E por que tanta tragédia precisa vir embrulhada em tanta hipocrisia?”
Na plateia da vida, restamos nós — com nossos corações feitos de esperança reciclada, tentando rir para não chorar, tentando amar num mundo que às vezes se especializa em queimar pontes e plantar cinzas.
Mas, como em todo bom circo, sempre haverá uma criança na arquibancada acreditando que o mágico existe.
E essa criança… ainda somos nós.
Fim do espetáculo.
Amanhã tem mais. Porque o Brasil… ah, o Brasil é aquele picadeiro onde a lona é furada, mas o povo ainda dança.
Por Antonio Glauber Santana Ferreira




