CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 17 de julho de 2026

Por Antonio Glauber Santana Ferreira
Abram a janela da vida para a leitura
O dia 17 de julho de 2026 abriu a janela da realidade e encontrou o mundo tomando café com o absurdo, passando manteiga na ironia e perguntando se ainda havia juízo disponível no supermercado. Em Aracaju, a Prefeitura resolveu expulsar a propaganda das bets dos espaços públicos, talvez antes que até os postes começassem a apostar se permaneceriam de pé até dezembro. Já estava quase faltando aparecer uma placa na praça: “Aposte se o ônibus chega antes da sua aposentadoria!” A decisão é um freio necessário nessa carruagem dourada da ilusão, porque a propaganda vende o sonho com dentes de diamante, enquanto o prejuízo chega de chinelo, entra sem bater e ainda dorme no sofá. Apostar pode parecer uma escada para o céu, mas muita gente descobre, depois de subir dois degraus, que o restante era apenas um desenho na parede.
Enquanto Aracaju fechava as portas públicas para as bets, nos Estados Unidos a Truth Social resolveu colocar relógio de Fórmula 1 nas notícias. Com a chamada Truth API, bancos e corretoras poderão pagar para receber mais rapidamente publicações de contas capazes de balançar os mercados. É o capitalismo descobrindo que até alguns segundos podem usar gravata, ter conta bancária e viajar de primeira classe! O dinheiro agora quer chegar à informação antes que a própria informação termine de calçar os sapatos. Quem paga escuta o galo cantar primeiro; quem não paga recebe a notícia quando a galinha já virou canja. E assim seguimos construindo uma humanidade em que até o tempo parece ter plano premium.
Mas, enquanto os homens apostam, negociam segundos e transformam palavras em cifras, a Terra não precisa de propaganda para mostrar sua força. No México, um terremoto de magnitude 7,3 fez o chão estremecer como se o planeta tivesse batido o pé e gritado: “Ei, criaturas, vocês ainda moram em cima de mim!” O alerta de tsunami acendeu o medo nas costas de vários países, embora a previsão apontasse ondas fracas e não houvesse registro de vítimas. Ainda bem. Porque basta um segundo para entendermos nossa pequenez: diante da natureza, bilionário, apostador, presidente, banqueiro e poeta cabem todos no mesmo susto.
Talvez seja essa a grande ironia deste 17 de julho: enquanto uns apostam dinheiro, outros compram segundos e a Terra sacode continentes sem pedir licença, continuamos procurando controlar um mundo que nunca assinou contrato de obediência conosco. Abram, portanto, a janela da vida para a leitura. Leiam o mundo, porque ele escreve todos os dias uma crônica nova — às vezes com tinta, às vezes com lágrimas, às vezes com gargalhadas e, de vez em quando, com um terremoto para lembrar que a humanidade pode até se achar dona do cassino, mas a natureza continua sendo a dona do prédio.




