CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 17 de julho de 2026

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 17 de julho de 2026
Publicado em 21/07/2026 às 1:55

Por Antonio Glauber Santana Ferreira

Abram a janela da vida para a leitura

O dia 17 de julho de 2026 abriu a janela da realidade e encontrou o mundo tomando café com o absurdo, passando manteiga na ironia e perguntando se ainda havia juízo disponível no supermercado. Em Aracaju, a Prefeitura resolveu expulsar a propaganda das bets dos espaços públicos, talvez antes que até os postes começassem a apostar se permaneceriam de pé até dezembro. Já estava quase faltando aparecer uma placa na praça: “Aposte se o ônibus chega antes da sua aposentadoria!” A decisão é um freio necessário nessa carruagem dourada da ilusão, porque a propaganda vende o sonho com dentes de diamante, enquanto o prejuízo chega de chinelo, entra sem bater e ainda dorme no sofá. Apostar pode parecer uma escada para o céu, mas muita gente descobre, depois de subir dois degraus, que o restante era apenas um desenho na parede.

Enquanto Aracaju fechava as portas públicas para as bets, nos Estados Unidos a Truth Social resolveu colocar relógio de Fórmula 1 nas notícias. Com a chamada Truth API, bancos e corretoras poderão pagar para receber mais rapidamente publicações de contas capazes de balançar os mercados. É o capitalismo descobrindo que até alguns segundos podem usar gravata, ter conta bancária e viajar de primeira classe! O dinheiro agora quer chegar à informação antes que a própria informação termine de calçar os sapatos. Quem paga escuta o galo cantar primeiro; quem não paga recebe a notícia quando a galinha já virou canja. E assim seguimos construindo uma humanidade em que até o tempo parece ter plano premium.

Mas, enquanto os homens apostam, negociam segundos e transformam palavras em cifras, a Terra não precisa de propaganda para mostrar sua força. No México, um terremoto de magnitude 7,3 fez o chão estremecer como se o planeta tivesse batido o pé e gritado: “Ei, criaturas, vocês ainda moram em cima de mim!” O alerta de tsunami acendeu o medo nas costas de vários países, embora a previsão apontasse ondas fracas e não houvesse registro de vítimas. Ainda bem. Porque basta um segundo para entendermos nossa pequenez: diante da natureza, bilionário, apostador, presidente, banqueiro e poeta cabem todos no mesmo susto.

Talvez seja essa a grande ironia deste 17 de julho: enquanto uns apostam dinheiro, outros compram segundos e a Terra sacode continentes sem pedir licença, continuamos procurando controlar um mundo que nunca assinou contrato de obediência conosco. Abram, portanto, a janela da vida para a leitura. Leiam o mundo, porque ele escreve todos os dias uma crônica nova — às vezes com tinta, às vezes com lágrimas, às vezes com gargalhadas e, de vez em quando, com um terremoto para lembrar que a humanidade pode até se achar dona do cassino, mas a natureza continua sendo a dona do prédio.