CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 17 de abril de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 17 de abril de 2025
Publicado em 18/04/2025 às 12:53

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

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Abril, esse poeta inquieto, resolveu escrever sua própria Via-Crúcis no calendário. E nesta quinta-feira santa, o Brasil amanheceu com velas acesas, corações em suspense e manchetes pingando cera quente nos olhos do povo.

A Rodoviária Velha de Aracaju parecia mais um formigueiro em dia de desespero. Gente indo, vindo e rezando pra que a passagem valesse mais que a penitência. Era tanto movimento que parecia que todos estavam fugindo de alguma coisa — ou quem sabe de si mesmos. A fé, essa bagagem invisível, pesava nos ombros junto com o isopor de queijo coalho e os sonhos de reencontro.

Enquanto isso, em São Cristóvão, a chama da tradição ardia viva na Procissão do Fogaréu. E lá estavam eles: penitentes, fiéis, curiosos e turistas, todos tentando entender se aquelas tochas acesas eram símbolo de fé ou metáfora viva da alma brasileira: acesa por fora, em brasa por dentro, mas prestes a ser apagada por um sopro de desilusão. Era bonito, era intenso, era quase uma oração que andava de pés descalços.

Mas não era só o corpo de Cristo que andava sendo perseguido. Em Brasília, os corredores da Polícia Federal viraram confessionário de elite. Dois exilados da moral — ex-diretor e atual diretor da ABIN — passaram horas prestando depoimentos separados, mas ligados pelo mesmo fio invisível da espionagem seletiva. A “Abin paralela”, essa entidade digna de série de streaming, parece ter deixado de ser teoria da conspiração para virar crônica de conspiração real. O Brasil, meus amigos, não precisa de espiões russos, quando já temos a nossa própria CIA do Cerrado — que monitora até pensamento atravessado.

E por falar em espiões, agora temos também o “RG Animal”, sistema de cadastro nacional para cães e gatos. É o CPF dos pets, o nome limpo do vira-lata. O problema é que o sistema deu tilt, paralisado pelo excesso de amor digital. Tanta gente querendo registrar o Totó e a Mimi que o servidor latiu mais alto que o próprio cachorro. E aqui vai um conselho: se o sistema travar de novo, experimentem soprar como se fosse fita de videogame dos anos 90. Quem sabe o Ministério do Meio Ambiente não resolve na base do afeto analógico?

Enquanto isso, no Congresso, um outro Glauber — o Braga, não o de Japaratuba — encerrava sua greve de fome, após acordo com o presidente da CCJ. Foram sete dias sem comida, mas com muitas mordidas da política rasteira. Um ato de coragem ou teatro de resistência? Talvez os dois. Afinal, neste palco de Brasília, ninguém é apenas ator — todos são autores de suas próprias tragédias.

E, como se o roteiro do dia precisasse de mais emoção, um homem armado com faca sequestrou um avião em Belize. Sim, em pleno 2025, quando drones entregam pizzas e satélites observam nossa casa pelo Google Maps, ainda há quem acredite que uma faca pode levar alguém aos céus. Tragédia anunciada em altitudes elevadas. O mundo, esse avião desgovernado, ainda procura sua pista de pouso em meio às turbulências morais.

No fim, entre fogaréus e RGs caninos, greves e espiões, o Brasil segue… cambaleante, mas dramático. Como se estivesse em eterna encenação da Paixão de Cristo, com soldados de terno e gravata, Judas com CPF premiado, e Pilatos lavando as mãos com álcool gel comprado com verba pública.

E que nesta Semana Santa, mesmo entre facas no céu e fantasmas nos gabinetes, reste ao menos a esperança de que a ressurreição não seja apenas de Jesus, mas da justiça, da empatia e — quem sabe — da nossa fé na humanidade.

Amém… e atenta vigilância.