Crônica

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 16 de outubro de 2025

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 16 de outubro de 2025
Publicado em 17/10/2025 às 6:08

Por Antônio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

O dia acordou com cara de ironia e perfume de sarcasmo. O sol, cansado de iluminar o mesmo roteiro, veio tímido, talvez envergonhado de assistir mais uma reprise da novela “Brasil — edição especial: o país da esperança parcelada em 12 vezes sem juros”.

Em Lagarto, uma mulher virou diretora de um espetáculo tragicômico chamado “Pirâmide das Ilusões”. Movimentou milhões, não em economia, mas em esperanças. Prometeu lucros de 30% e entregou prejuízos de 100%. Os sonhos das vítimas subiram ao topo da pirâmide — lá, onde o ar é ralo e o chão é de areia movediça. O golpe, travestido de oportunidade, mostrou mais uma vez que a ganância é o perfume mais vendido no mercado da inocência.

Enquanto uns choravam o dinheiro que evaporou, outros em Nossa Senhora do Socorro discutiam sobre contratos com cemitérios particulares. Ironia das ironias: o povo não tem casa pra morar, mas o gestor promete garantir “dignidade” no pós-vida. A política, essa artista do absurdo, faz o impossível — transforma até o descanso eterno em pauta eleitoral. Dignidade no túmulo, miséria no barraco.

E o povo, sempre ele, resolveu apostar na sorte. A Mega-Sena subiu no pedestal dos milagres e anunciou: R$ 48 milhões de esperança engarrafada. Cada número sorteado é uma promessa de fuga — um passaporte dourado para sair do país das filas e boletos. Mas o destino, esse comediante cruel, adora brincar com estatísticas: 49 sortudos ganharam na quina, e os outros 49 milhões continuam apostando na vida.

O rock também silenciou um dos seus riffs mais elétricos. Ace Frehley, guitarrista e fundador do Kiss, despediu-se da Terra. O primeiro do quarteto a fazer a “turnê celestial”. Enquanto o mundo chora a perda, o céu ganha um solo de guitarra entre os astros. A morte dele soa como um acorde menor na canção da eternidade: “I was made for lovin’ you”, agora tocada em silêncio pelas estrelas.

No Palácio do Planalto, Lula recebeu Jorge Messias e líderes evangélicos. O encontro parecia um milagre diplomático: fé e política dividindo o mesmo altar. Messias, nome de profeta, pode virar ministro do STF — e o Brasil, sempre teatral, já imagina o julgamento da história com um “Messias” de toga. A ironia divina anda afiada.

Enquanto isso, lá longe, em Nova Délhi, Alckmin sorriu entre especiarias e acordos comerciais. O Brasil e a Índia decidiram trocar promessas de prosperidade e petróleo. Do outro lado do globo, os Estados Unidos elogiaram o encontro com o chanceler brasileiro e prometeram um Trump-Lula Meeting. Um show diplomático que promete mais selfies do que soluções.

Mas o mundo não vive só de manchetes douradas. No Peru, o sangue da juventude manchou as ruas. A geração Z, cansada de promessas vazias, protestou com o peito cheio de futuro e voltou com feridas do passado. Um jovem morreu — e o vento andino levou o eco de seu grito pelas cordilheiras. Cada lágrima caída naquele chão sagrado é um poema não terminado da América Latina.

O dia 16 de outubro termina com cheiro de pólvora, perfume de hipocrisia e notas de saudade. O Brasil ainda tenta tocar sua música, desafinado, com cordas gastas e maestro cansado. Mas, teimoso como sempre, o povo segue cantando — porque desistir, por aqui, ainda não entrou em promoção.