CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 16 de junho de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 16 de junho de 2025
Publicado em 16/06/2025 às 20:58


Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


Abram o livro do tempo e virem a página 16 de junho de 2025. Lá está o Brasil, e o mundo, tropeçando entre trovoadas, cobras, aviões que dançam no céu e políticos que rastejam no subsolo das intenções.

Logo cedo, os céus de Aracaju decidiram brincar de esconde-esconde com os aviões. Um voo que deveria pousar às 11h ficou rodando feito criança esperando a vez na roda-gigante — mas com a adrenalina de quem sabe que qualquer turbulência vira manchete. O avião rodou, rodou, rodou — parecia festa junina no céu sergipano, só que com nuvens em vez de bandeirolas. Enquanto isso, a Aena Brasil dizia que estava tudo “normal”. Ah, a normalidade brasileira… onde dar voltas no ar por 40 minutos é só mais uma segunda-feira.

E por falar em voltas, lá no chão uma jiboia de três metros resolveu dar o ar da graça em Nossa Senhora do Socorro. Apareceu nas redondezas da prefeitura, como quem quer lembrar aos políticos locais que cobra que não anda não engole sapo — mas pode engolir promessas vazias. A bichinha, coitada, só queria voltar pra casa, e graças ao Grupamento Ambiental, foi devolvida ao Ibura. Mas confesso que parte da população gostaria que ela tivesse feito uma visita ao gabinete de certos gestores… só pra causar um leve constrangimento ecológico.

Enquanto a jiboia se salvava, o Brasil assistia a outro resgate: o das emendas parlamentares. Sim, porque quando o céu aperta e as nuvens do Congresso engrossam, o governo corre para abrir o guarda-chuva dos bilhões. R$ 2 bilhões até o fim do mês, prometem. Um mutirão ministerial! Parece até black friday do orçamento público — quem chora mais, leva. Deputado reclamou, Motta levou, Lula ouviu, Gleisi anunciou. E o povo? Ah, o povo segue na fila do SUS com um guarda-chuva furado.

Cruzando o oceano, os ventos não são de calmaria. A comitiva de políticos brasileiros, que achou que seria boa ideia visitar Israel no meio de um incêndio diplomático, resolveu sair pela porta dos fundos: cruzou a fronteira com a Jordânia. Foi como fugir de uma briga de vizinhos entrando pelo quintal do lado. Enquanto isso, Israel bombardeava a sede da TV estatal do Irã, em pleno jornal ao vivo. É a guerra entrando na sala de estar sem pedir licença, sem rodapé, sem intervalo comercial.

E, num cenário que beira a tragicomédia mundial, os países do G7 pediram “desescalada”. Um apelo de paz com cara de recado em grupo de WhatsApp: educado, ignorado e logo soterrado por GIFs de bom dia. Trump, como sempre, não assinou. Preferiu ficar no camarote da indiferença, assistindo o mundo pegar fogo enquanto toma chá com gelo e posta “truths” com caps lock.

No fim do dia, entre cobras, chuvas, aviões e bombas, ficou a sensação de que o mundo anda mesmo num looping de desatino. A esperança, como a jiboia, ainda sobrevive. Mas precisa de resgate constante.

E que São Francisco Régis, o santo do dia, nos abençoe com coragem, porque fé a gente já gastou tentando entender essa segunda-feira.