CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 16 de Agosto de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 16 de Agosto de 2025
Publicado em 17/08/2025 às 15:36

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

O calendário, sempre vestido de juiz imparcial, marcou 16 de agosto de 2025 e abriu o tribunal da vida com novas audiências. As manchetes se apresentaram como testemunhas: umas carregadas de lágrimas, outras de fios elétricos da tecnologia, algumas tremendo como a própria terra.

O ressarcimento da vergonha

Mais de 19 mil sergipanos já foram ressarcidos pela fraude do INSS. É como se o Estado, depois de roubar o pão, devolvesse as migalhas embrulhadas em guardanapo sujo, dizendo: “Pronto, tá pago!”.
A corrupção, essa senhora de unhas pintadas e sorriso falso, dançou quadrilha com a inocência dos aposentados. No lugar da fogueira, ateou fogo na paciência dos que passaram anos acreditando no carimbo da Previdência. E agora, devolver parte do dinheiro é quase como oferecer um copo de água após incendiar a casa inteira.

Duas despedidas, um só silêncio

Pirambu e Aracaju ficaram mais pobres.
Em Pirambu, cidade do litoral norte de Sergipe, a professora aposentada da rede estadual Ivanilde Ferreira do Nascimento partiu. Professora é como árvore: deixa raízes no coração dos alunos e da comunidade. Meus sentimentos para o amigo Valdemar e família.
Em Aracaju, o jornalista Euler Ferreira, esse cronista da vida sergipana, calou sua pena aos 75 anos. Ele, que tantas vezes deu voz aos fatos, agora repousa no silêncio que só a eternidade sabe narrar. Um homem que moldou palavras como quem talha esculturas de vento, deixando filhas, memórias e um legado espalhado em rádios, jornais e televisores.
A morte, ingrata, deveria ser processada por roubo de talentos.

Senado, IA e a ironia legislativa

Enquanto isso, em Brasília, o Senado resolveu brincar de professor de ética com a Inteligência Artificial. Criaram regras para uso de IA na Casa, mas, claro, sem obrigar os gabinetes. É como decretar dieta nacional, mas liberar os senadores para almoçar rodízio de picanha.
Falam em “respeito à democracia”, mas a própria democracia, coitada, já anda de bengala, tropeçando nos corredores acarpetados do Congresso. Se a IA for espelho, temo que ela aprenda rapidinho a arte da omissão seletiva, da retórica sem prática e da promessa com validade de iogurte vencido.

Robôs astronautas e o humano descartável

Os cientistas, sempre afoitos, já cogitam robôs substituindo astronautas no espaço. É o triunfo do parafuso sobre o fôlego. O ser humano, que sempre sonhou em tocar estrelas, agora corre o risco de virar espectador enquanto o robô posa para foto na Lua.
Ironia cósmica: mandamos máquinas para explorar os céus, mas não conseguimos arrumar o esgoto da Terra. Talvez os robôs voltem do espaço com saudade da poluição daqui.

A terra que estremece

E, no Japão, a terra resolveu soltar um soluço de magnitude 5,7. Felizmente, sem grandes danos. O planeta, esse velho guerreiro cansado, às vezes se alonga com tremores, lembrando-nos de que somos apenas poeira hospedada de favor em sua pele.


Epílogo

O dia 16 de agosto foi uma ciranda de contrastes: dinheiro devolvido depois da rapinagem, mestres que partem deixando saudade, políticos que legislam com o lápis sem grafite, robôs que querem voar e um chão que treme, mas não derruba.
A vida, nesse palco, é comédia e tragédia ao mesmo tempo. E nós, plateia e atores, seguimos ensaiando falas improvisadas, esperando que o próximo ato seja menos cruel e mais humano.

Porque, no fundo, todo dia é um terremoto dentro da gente. Uns abalam com saudade, outros com esperança. E cabe a nós decidir se reconstruímos a casa ou apenas varremos os cacos.