CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 16 de Agosto de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
O calendário, sempre vestido de juiz imparcial, marcou 16 de agosto de 2025 e abriu o tribunal da vida com novas audiências. As manchetes se apresentaram como testemunhas: umas carregadas de lágrimas, outras de fios elétricos da tecnologia, algumas tremendo como a própria terra.
O ressarcimento da vergonha
Mais de 19 mil sergipanos já foram ressarcidos pela fraude do INSS. É como se o Estado, depois de roubar o pão, devolvesse as migalhas embrulhadas em guardanapo sujo, dizendo: “Pronto, tá pago!”.
A corrupção, essa senhora de unhas pintadas e sorriso falso, dançou quadrilha com a inocência dos aposentados. No lugar da fogueira, ateou fogo na paciência dos que passaram anos acreditando no carimbo da Previdência. E agora, devolver parte do dinheiro é quase como oferecer um copo de água após incendiar a casa inteira.
Duas despedidas, um só silêncio
Pirambu e Aracaju ficaram mais pobres.
Em Pirambu, cidade do litoral norte de Sergipe, a professora aposentada da rede estadual Ivanilde Ferreira do Nascimento partiu. Professora é como árvore: deixa raízes no coração dos alunos e da comunidade. Meus sentimentos para o amigo Valdemar e família.
Em Aracaju, o jornalista Euler Ferreira, esse cronista da vida sergipana, calou sua pena aos 75 anos. Ele, que tantas vezes deu voz aos fatos, agora repousa no silêncio que só a eternidade sabe narrar. Um homem que moldou palavras como quem talha esculturas de vento, deixando filhas, memórias e um legado espalhado em rádios, jornais e televisores.
A morte, ingrata, deveria ser processada por roubo de talentos.
Senado, IA e a ironia legislativa
Enquanto isso, em Brasília, o Senado resolveu brincar de professor de ética com a Inteligência Artificial. Criaram regras para uso de IA na Casa, mas, claro, sem obrigar os gabinetes. É como decretar dieta nacional, mas liberar os senadores para almoçar rodízio de picanha.
Falam em “respeito à democracia”, mas a própria democracia, coitada, já anda de bengala, tropeçando nos corredores acarpetados do Congresso. Se a IA for espelho, temo que ela aprenda rapidinho a arte da omissão seletiva, da retórica sem prática e da promessa com validade de iogurte vencido.
Robôs astronautas e o humano descartável
Os cientistas, sempre afoitos, já cogitam robôs substituindo astronautas no espaço. É o triunfo do parafuso sobre o fôlego. O ser humano, que sempre sonhou em tocar estrelas, agora corre o risco de virar espectador enquanto o robô posa para foto na Lua.
Ironia cósmica: mandamos máquinas para explorar os céus, mas não conseguimos arrumar o esgoto da Terra. Talvez os robôs voltem do espaço com saudade da poluição daqui.
A terra que estremece
E, no Japão, a terra resolveu soltar um soluço de magnitude 5,7. Felizmente, sem grandes danos. O planeta, esse velho guerreiro cansado, às vezes se alonga com tremores, lembrando-nos de que somos apenas poeira hospedada de favor em sua pele.
Epílogo
O dia 16 de agosto foi uma ciranda de contrastes: dinheiro devolvido depois da rapinagem, mestres que partem deixando saudade, políticos que legislam com o lápis sem grafite, robôs que querem voar e um chão que treme, mas não derruba.
A vida, nesse palco, é comédia e tragédia ao mesmo tempo. E nós, plateia e atores, seguimos ensaiando falas improvisadas, esperando que o próximo ato seja menos cruel e mais humano.
Porque, no fundo, todo dia é um terremoto dentro da gente. Uns abalam com saudade, outros com esperança. E cabe a nós decidir se reconstruímos a casa ou apenas varremos os cacos.




