CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 15 de agosto de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 15 de agosto de 2025
Publicado em 16/08/2025 às 8:25

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

O dia 15 de agosto entrou em cena como um ator veterano que sabe o peso de cada silêncio e a força de cada exagero. O palco, claro, era o Brasil — esse teatro de tragédias, farsas e comédias involuntárias, onde até a jiboia resolve fazer participação especial na Praia da Atalaia. Dizem que a cobra apareceu entre os banhistas, talvez para lembrar que o pecado original também pode vir de biquíni e óculos escuros. A Polícia Ambiental foi chamada, mas a estrela já tinha se retirado — afinal, artista que se preze não repete cena.

Enquanto isso, a Praia da Cinelândia estreou um espetáculo digno de aplausos de pé: o Incluir Praiaju. PCDs agora podem, todas as sextas, mergulhar não só no mar, mas também naquilo que mais escasseia por aqui — dignidade e inclusão. É como se o Atlântico, cansado de tanta exclusão, decidisse abrir suas ondas como braços largos para todos. Quem sabe o projeto não ensina ao resto do país que acessibilidade não é favor, é direito com cheiro de maresia e gosto de liberdade?

No norte distante, o TSE resolveu acordar do seu sono de princesa e marcar o julgamento do governador de Roraima, Antonio Denarium, acusado de abusar do poder econômico. Um ano parado no arquivo, como se democracia fosse vinho envelhecendo na adega, quando na verdade apodrece rápido se esquecida. Agora, resta saber se será tragédia ou comédia de tribunal.

No IBGE, boas novas: o desemprego caiu em 18 estados. Parece ótimo… até lembrar que, no Brasil, a estatística muitas vezes é como maquiagem em ator cansado — disfarça, mas não cura as olheiras da fome. Nos outros nove estados, tudo igual, estável, como se o país tivesse aprendido a conviver com a corda no pescoço desde que inventaram o pescoço.

E por falar em corda, o governo quer cortar a obrigatoriedade das autoescolas. Treinar motorista “por conta própria” soa como ensinar natação jogando o aluno direto no mar — torcendo para que a maré seja baixa. O argumento? Custa caro. A solução? Talvez trocar volante por roleta-russa. Se já temos motoristas que tratam a rua como pista de corrida e a seta como enfeite, imagina sem formação mínima…

Lá fora, o mundo também girava no carrossel da insanidade. Trump e Putin resolveram se encontrar no Alasca, talvez para trocar receitas de geopolítica no frio: “duas colheres de ameaça nuclear, um punhado de ironia diplomática e mexa até dissolver a paz”. Ao mesmo tempo, chuvas torrenciais matavam mais de 200 pessoas na Índia e no Paquistão — a natureza, cansada da indiferença humana, soltando seu grito líquido e impiedoso.

E no meio disso tudo, o dólar e o Ibovespa caíram, como quem tropeça num degrau invisível, aguardando ansiosos pelos humores de Trump, Putin e do destino. O mundo hoje parece viver em uma grande orla: de um lado, banhos assistidos de humanidade; do outro, jiboias, tempestades e governantes que nadam melhor nas águas da própria conveniência.

No fim do dia, fechei o jornal com a sensação de que somos espectadores e atores desse roteiro improvável. A diferença é que a plateia não pode sair da sala e o palco não apaga as luzes. O espetáculo continua, até que a vida — caprichosa e dramática — decida encerrar a temporada.

E aí, talvez, quem sabe, a gente aprenda a diferença entre nadar por prazer e boiar para sobreviver.