CRÔNICA
Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 14 de março de 2025
O mundo gira, tropeça e dança conforme a música
Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
O dia amanheceu com ares de corrida, mas não qualquer corrida: uma maratona burocrática. O prazo para a troca de titularidade da Corrida Cidade de Aracaju chegou ao fim, e quem não se organizou ficou para trás, sentindo o peso de um sistema que exige velocidade, mas opera em câmera lenta. No fim das contas, a corrida mais difícil não é de rua, mas contra a papelada.
Enquanto isso, em São Cristóvão, a Romaria do Senhor dos Passos seguiu seu trajeto sagrado, numa fé que, ao contrário das estradas, não tem buracos nem desvios. Peregrinos caminham com a alma leve, enquanto o país carrega uma cruz feita de crises, promessas vazias e um sistema de saúde onde até o milagre tem fila de espera.
Falando em saúde, mães de crianças com epidermólise bolhosa clamam pelo básico: insumos. Mas quem liga? A prioridade é sempre outra. Se a dor tivesse um patrocinador poderoso, talvez fosse diferente. No Brasil, a medicina é um jogo onde alguns jogam na Série A e outros nem entram em campo.
O combustível da paciência nacional está em baixa, mas a gasolina pode baratear – pelo menos é o que diz o ministro. Aumentar o etanol para 30% seria um sopro de esperança, ou apenas mais um truque para disfarçar os impostos embutidos no litro? O brasileiro, acostumado a fazer contas na bomba, sabe que boas intenções evaporam como gasolina no calor do asfalto.
Mas nem tudo é crise. A produção de veículos voltou aos tempos pré-pandemia, como se o país tivesse dado um reset e voltado para 2019. Só esqueceram de avisar que o salário da maioria não seguiu essa viagem no tempo. O carro pode ter voltado, mas o poder de compra do motorista ainda está quebrado no acostamento.
O dólar resolveu dar um respiro, fechando a R$ 5,74. Um alívio passageiro, como aquele desconto que vem na fatura do cartão, mas que não impede o tombo do mês seguinte. Já a Bolsa subiu, sinalizando que os tubarões do mercado estão satisfeitos – o problema é que os peixinhos que vivem do salário mínimo continuam à deriva.
Lá em Cuba, o apagão deixou Havana no escuro. Mas, pensando bem, a escuridão não é exclusividade dos cubanos. No Brasil, apagões acontecem diariamente: na saúde, na educação, na segurança e, principalmente, na vergonha na cara dos governantes.
E nos Estados Unidos, um embaixador sul-africano foi expulso por “explorar questões raciais”. Ironia fina, já que os EUA adoram pregar a liberdade de expressão, mas só quando convém. O império da hipocrisia segue firme, exportando democracia e importando crises.
No fim do dia, o resumo é simples: corremos contra o tempo, oramos pelos milagres que o governo não entrega, sofremos com a falta de remédios, torcemos por combustíveis mais baratos, celebramos a produção de carros que não podemos comprar, olhamos para o dólar como quem espera um presente que nunca chega e, claro, assistimos ao teatro geopolítico onde todos fingem ser mocinhos.
Enquanto isso, o brasileiro segue seu percurso diário: desviando de buracos, evitando filas intermináveis, contando centavos e, se possível, encontrando algum motivo para sorrir. Porque, no Brasil, esperança não é uma crença. É um esporte de resistência.




