CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 14 de julho de 2025

As páginas do dia 14 de julho de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 14 de julho de 2025
Publicado em 15/07/2025 às 11:37


Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

Era 14 de julho, data em que a França derrubou grades e o povo gritou “Liberté!”. Já no Brasil, as grades seguem firmes — mas não nas prisões, e sim nos boletos, nos juros, nos discursos e nas manchetes que nos algemam com reticências em vez de pontos finais.

No teatro do cotidiano sergipano, subiu ao palco uma atriz com talento para o drama financeiro: uma mulher foi indiciada por aplicar golpes de empréstimos e financiamentos. Mais de 50 vítimas, um festival de ilusões parceladas em 48 vezes sem juros — só com lágrimas embutidas. Uma delas perdeu R$ 250 mil, o suficiente para comprar três casas no interior ou meia dúzia de calçadas em Aracaju, dependendo da obra e da verba misteriosamente sumida. A golpista não vendia carros, vendia esperanças com motor fundido.

Enquanto isso, a construção civil em Sergipe anda como obra sem mestre de obras. Falta tijolo humano, falta mão que construa sonhos. Os pedreiros sumiram, talvez cansados de levantar prédios que não abrigam direitos. O cimento endurece no chão, mas a esperança continua mole, derretendo no sol de julho como picolé esquecido na calçada da desigualdade.

E se em Sergipe a argamassa está fraca, a dignidade segue firme. A prefeitura de Aracaju resolveu dar um tijolaço na arrogância e acionou a Justiça contra Arthur do Val, o ex-deputado e atual atleta olímpico da grosseria. Ele achou que podia xingar sergipanos como quem fala de vento em tarde quente, mas esqueceu que o povo daqui pode ser manso como mangaba madura, mas reage como cacto quando cutucado com preconceito.

Num suspiro verde entre tanta fumaça, uma boa nova: Sergipe concluiu planos de recuperação de áreas degradadas. Que as árvores voltem a dançar com o vento, que os rios recuperem sua poesia líquida, e que os ipês floresçam onde só havia poeira e promessas secas. A natureza, essa senhora paciente, ainda acredita que o homem pode reaprender a ser parte e não peste.

O Brasil tenta escapar do tarifaço de Trump com a diplomacia de Alckmin. O vice-presidente já ensaia passos de valsa com a indústria e o agro, tentando não pisar nos pés da economia. Porque quando Trump resolve aumentar tarifas, não é só sobre preços — é sobre orgulho, poder e tomates. Sim, tomates! Os Estados Unidos taxaram em 17% o tomate mexicano. Talvez porque descobriram que molho vermelho mancha mais que ideologia.

E a China, com seu jeito milenar de andar de lado como caranguejo e chegar à frente como foguete, cresceu 5,2% mesmo com os muros econômicos dos EUA. Enquanto Trump tenta parar o mundo com tarifas, a China dança tcha-tcha-tchá com o mercado global, vendendo de agulhas a satélites, sem perder o passo.

Mas a peça geopolítica ganha contornos de tragédia grega com o novo ato de Trump: ameaçou a Rússia com tarifas de 100% caso não pare a guerra em 50 dias. Um ultimato com cara de monólogo teatral, onde o palco é a Casa Branca e o texto, escrito com caneta de pólvora. Putin, do alto de sua frieza siberiana, disse que não se abala com encenações. E nós, plateia global, assistimos perplexos a esse duelo de gigantes mimados, que jogam xadrez com tanques enquanto o povo ucraniano paga o ingresso com a própria vida.

No fim, o mundo segue girando como carro desgovernado na BR-101: entre buracos de guerra, lombadas de crise e curvas perigosas de vaidade. E nós, passageiros do cotidiano, seguimos torcendo pra que o motorista pelo menos tenha carteira — e coração.

Porque, entre a estelionatária de automóveis, os impostos sobre salada, o pedreiro desaparecido e os líderes que brincam de dominó com bombas, o que nos resta é isso: rir pra não chorar, escrever pra não esquecer e plantar uma árvore pra não perder a esperança.