CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 14 de dezembro de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
O dia 14 acordou com a garganta rouca de tanto gritar verdades. Em Aracaju, as ruas vestiram cartazes e indignação: o povo protestou contra o PL da dosimetria e a anistia do 8/1, como quem diz que golpe não é febre que se cura com paracetamol jurídico. A justiça, cansada de ser empurrada para debaixo do tapete, bateu o pé no asfalto quente e pediu respeito à memória democrática.
Enquanto isso, em Brasília, a política fez mais um truque de ilusionismo: Carla Zambelli entregou a renúncia como quem solta um balão furado no céu da Câmara. Saiu pela porta giratória da história e deixou no lugar o suplente, prova viva de que, no teatro do poder, sempre há um ator esperando a deixa. A ética, essa senhora de cabelos brancos, suspirou cansada no fundo da plateia.
E lá longe, na praia de Bondi, na Austrália, o mar — que nasceu para embalar — virou testemunha do horror. Um atentado rasgou a festa de Hanukkah, transformando alegria em luto, areia em ferida aberta. O mundo, atordoado, percebeu que o ódio anda descalço, misturado à multidão, pronto para manchar qualquer celebração.
Assim foi o domingo: protesto que grita, política que escapa e violência que sangra. Um dia curto, mas pesado — desses que nos obrigam a lembrar que democracia se defende, justiça não se barganha e humanidade não pode ser refém do ódio.




