CRÔNICA
Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 13 de outubro de 2025
Por Antônio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
O céu de Sergipe virou palco de espetáculo aéreo nesta segunda-feira: o avião da Força Aérea Brasileira riscou o firmamento como se fosse um giz de luz desenhando linhas no quadro azul da tarde. Alguns olharam para cima achando que era OVNI, outros acharam que era o início do Apocalipse, e teve quem apenas suspirou: “lá vai o Brasil calibrando até o ar pra ver se finalmente acerta o rumo”. Enquanto a FAB fazia sua “rotina técnica”, o povo fazia o de sempre: tentando calibrar a paciência com o calor e a esperança com o salário.
A nave da FAB, imponente e fria, parecia sussurrar ao vento: “aqui embaixo, vocês navegam entre buracos; eu, entre nuvens.” E o povo, com seu radar de sobrevivência, respondeu em silêncio: “nós também fazemos manobras diárias para não cair.”
Mas o noticiário, esse circo itinerante da humanidade, trouxe uma boa nova vinda do outro lado do Atlântico: Cabo Verde vai à Copa do Mundo!
Ah, Cabo Verde — ilhas que dançam com o mar e agora dançarão com o mundo. O pequeno arquipélago virou gigante. O povo cabo-verdiano, que há séculos aprendeu a driblar a seca e a saudade, agora driblou goleiros e a descrença. Um gol por cada sonho que ficou preso em navios, um drible em cada desânimo histórico. Que bonito ver um país pequeno ensinando ao planeta que o tamanho do território não mede o tamanho da coragem.
No Vaticano, um encontro histórico: Lula e o Papa Leão XIV — um papa de nome felino, um presidente de alma franciscana. Sentaram-se frente a frente, entre afrescos e orações, conversando sobre fé, pobreza e desigualdade. Dizem que o diálogo foi tão profundo que até os anjos pediram legenda.
Janja, elegante, observava como quem sabe que as mulheres sempre trazem a fé no olhar e a política na bolsa. Lula, com aquele jeito de nordestino que fala com o coração e gesticula com o corpo, deve ter dito algo como:
“Santidade, o Brasil é uma missa longa — o problema é que nem todos rezam pelo mesmo pão.”
O Papa sorriu, talvez lembrando que, enquanto alguns multiplicam peixes, outros multiplicam moedas…
E lá no Oriente Médio, entre bombas que cansaram de cair e lágrimas que secaram de tanto chorar, Hamas e Israel trocaram reféns por prisioneiros, numa dança trágica de vidas e números. Vinte voltaram para casa, dois mil saíram das celas — e o mundo, mais uma vez, aplaudiu a paz com medo de que ela dure pouco.
O cessar-fogo foi assinado com canetas que tremem e mãos que desconfiam. No fundo, o planeta inteiro sabe: o verdadeiro campo de batalha é o coração humano, onde a paz tenta sobreviver entre os escombros da vaidade e do poder.
Enquanto o avião da FAB calibrava o céu, Cabo Verde calibrava sonhos, Lula calibrava esperanças e o Oriente Médio calibrava dores. O mundo parece uma grande oficina, cheia de parafusos frouxos e corações sem manutenção.
Mas, se há algo que ainda nos sustenta, é essa teimosia poética de acreditar.
Acreditar que o voo vai dar certo, que o gol vai sair, que o Papa vai nos abençoar e que, entre uma guerra e outra, a humanidade ainda possa pousar em algum aeroporto chamado Esperança.
Porque, no fim das contas, todos somos aviões desajeitados tentando voar sobre os ventos incertos da vida.




