CRÔNICA
Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 13 de março de 2025
Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
A cidade, esse grande tabuleiro de xadrez, viu seus peões de lata serem varridos do tabuleiro. Os ônibus de Aracaju, já enferrujados pelo tempo e pela negligência, serão aposentados compulsoriamente. Parece justo, diria um burocrata bem acomodado em seu ar-condicionado. Mas e o trabalhador? Ah, o trabalhador seguirá sua sina de funambulista, equilibrando-se entre um transporte público agonizante e a eterna promessa de melhorias que nunca chegam. Se modernizar significa reduzir, o progresso tem gosto de retrocesso.
E enquanto os ônibus enferrujam, os cofres do governo brilham. O Leão da Receita afia suas garras e se prepara para mais um festim anual. Os contribuintes, qual rebanho manso, se organizam para entregar sua fatia do bolo. Em troca, esperam um pedaço da restituição – um afago tardio, um troco pelo ingresso nessa ópera tributária. Mas cuidado, cidadão! O espetáculo fiscal sempre reserva surpresas: um formulário esquecido, um dado digitado errado, e lá vem a mordida do Fisco, sem anestesia e sem remorso.
Do outro lado do mundo, Putin joga xadrez com a paz. Em um tabuleiro onde peões são soldados e bispos disparam mísseis, o czar de gelo estuda uma trégua de 30 dias. Um armistício ou apenas um respiro estratégico antes da próxima investida? Enquanto ele acena para Lula e os Brics, os ucranianos seguem contando destroços. Trinta dias podem parecer um sopro de esperança, mas a guerra tem fôlego longo e uma fome insaciável.
Falando em fome, Lula agora oferece um novo prato no cardápio do crédito consignado. Trabalhadores com carteira assinada, empregados rurais e até os bravos MEIs poderão saborear a ilusão do dinheiro rápido. Mas cuidado! O crédito fácil é um doce envenenado. O aroma da promessa é irresistível, mas a conta sempre chega, muitas vezes com juros que transformam um alívio momentâneo em uma bola de neve econômica.
E na distante Groenlândia, onde os ventos sussurram segredos ancestrais, a oposição venceu uma eleição que nem Trump conseguiu congelar. O magnata, sempre pronto para transformar territórios em suas novas aquisições, deve estar furioso. Quem diria que a ilha de gelo teria tanto calor político? A democracia, frágil como uma escultura de neve, resistiu à tempestade e mostrou que nem sempre o poder se compra com dólares e bravatas.
E assim segue o mundo, caro leitor. Entre ônibus sucateados e guerras adiadas, entre impostos vorazes e créditos sedutores, entre superpotências e territórios que resistem, a vida continua seu curso, como um rio que, mesmo poluído, insiste em seguir para o mar. No tabuleiro da história, somos peças em um jogo que não criamos, mas que nos obriga a jogar. Que saibamos, pelo menos, mover nossas peças com astúcia e dignidade.




