CRÔNICA

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 13 de março de 2025

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 13 de março de 2025
Publicado em 14/03/2025 às 6:29

Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


A cidade, esse grande tabuleiro de xadrez, viu seus peões de lata serem varridos do tabuleiro. Os ônibus de Aracaju, já enferrujados pelo tempo e pela negligência, serão aposentados compulsoriamente. Parece justo, diria um burocrata bem acomodado em seu ar-condicionado. Mas e o trabalhador? Ah, o trabalhador seguirá sua sina de funambulista, equilibrando-se entre um transporte público agonizante e a eterna promessa de melhorias que nunca chegam. Se modernizar significa reduzir, o progresso tem gosto de retrocesso.

E enquanto os ônibus enferrujam, os cofres do governo brilham. O Leão da Receita afia suas garras e se prepara para mais um festim anual. Os contribuintes, qual rebanho manso, se organizam para entregar sua fatia do bolo. Em troca, esperam um pedaço da restituição – um afago tardio, um troco pelo ingresso nessa ópera tributária. Mas cuidado, cidadão! O espetáculo fiscal sempre reserva surpresas: um formulário esquecido, um dado digitado errado, e lá vem a mordida do Fisco, sem anestesia e sem remorso.

Do outro lado do mundo, Putin joga xadrez com a paz. Em um tabuleiro onde peões são soldados e bispos disparam mísseis, o czar de gelo estuda uma trégua de 30 dias. Um armistício ou apenas um respiro estratégico antes da próxima investida? Enquanto ele acena para Lula e os Brics, os ucranianos seguem contando destroços. Trinta dias podem parecer um sopro de esperança, mas a guerra tem fôlego longo e uma fome insaciável.

Falando em fome, Lula agora oferece um novo prato no cardápio do crédito consignado. Trabalhadores com carteira assinada, empregados rurais e até os bravos MEIs poderão saborear a ilusão do dinheiro rápido. Mas cuidado! O crédito fácil é um doce envenenado. O aroma da promessa é irresistível, mas a conta sempre chega, muitas vezes com juros que transformam um alívio momentâneo em uma bola de neve econômica.

E na distante Groenlândia, onde os ventos sussurram segredos ancestrais, a oposição venceu uma eleição que nem Trump conseguiu congelar. O magnata, sempre pronto para transformar territórios em suas novas aquisições, deve estar furioso. Quem diria que a ilha de gelo teria tanto calor político? A democracia, frágil como uma escultura de neve, resistiu à tempestade e mostrou que nem sempre o poder se compra com dólares e bravatas.

E assim segue o mundo, caro leitor. Entre ônibus sucateados e guerras adiadas, entre impostos vorazes e créditos sedutores, entre superpotências e territórios que resistem, a vida continua seu curso, como um rio que, mesmo poluído, insiste em seguir para o mar. No tabuleiro da história, somos peças em um jogo que não criamos, mas que nos obriga a jogar. Que saibamos, pelo menos, mover nossas peças com astúcia e dignidade.