CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 13 de junho de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 13 de junho de 2025
Publicado em 13/06/2025 às 23:50


Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

No altar dos dias, 13 de junho brilhou como uma vela acesa na ventania. Era dia de Santo Antônio, o santo das alianças, das promessas juradas no pé da fogueira e dos corações que se jogam do penhasco da esperança sem paraquedas. Mas enquanto os fiéis distribuíam pãezinhos benzidos e fitas amarradas com fé no pulso, a realidade preparava suas ironias com fermento vencido.

A Polícia Federal prorrogou o prazo para as inscrições do concurso. Deve ser para dar mais tempo aos santos de casa se inscreverem e tentar pôr ordem no altar da pátria. Porque, vamos ser francos, o Brasil anda precisando mesmo é de uma legião de agentes com fé, coragem e vergonha na algibeira. A fila do desemprego reza por isso, e o povo, que já deixou de acreditar em coelho da Páscoa e Papai Noel, ainda insiste em acreditar que a PF pode ser milagreira.

Falando em milagres, o céu de Aracaju soprou ventos que fizeram o Arraiá do Povo dançar só na lembrança. O Governo cancelou os shows desta sexta, alegando que o vento estava mais animado que trio pé-de-serra em véspera de São João. Foi o São Pedro puxando a orelha dos exageros ou o Santo Antônio mostrando que o forró não pode abafar o sagrado? Fato é que o povo ficou sem xote, sem quadrilha e com a vontade dançando sozinha no salão do cancelamento.

Mas a dança mais vergonhosa da sexta-feira 13 — de indignação — foi a quadrilha de colarinho branco. A Polícia Federal colocou freios em 14 imóveis de luxo em Sergipe. Mansões de cimento e vergonha construídas com o barro das aposentadorias alheias. O esquema era nacional, mas os frutos do roubo brotavam em terras sergipanas, regados com suor de velhinhos e lágrimas de pensionistas.

Pense num forró de milhões! Três bilhões desviados em cinco anos. Dinheiro que deveria comprar remédio, feijão e tranquilidade. Mas virou parede de gesso, piscina de azulejo e sofá de couro para lobistas, servidores venais e “associações de fachada” — esse novo nome poético para quadrilhas organizadas.

Santo Antônio deve ter suspirado do altar. “Me chamaram pra unir corações, não pra ver os doentes sendo saqueados no banco!” Enquanto isso, o povo reza e espera, como sempre, que a justiça venha… ou pelo menos chegue antes que a propina esfrie.

E como se o mundo não fosse uma roça em chamas, lá do outro lado do oceano, Irã e Israel continuam jogando bombas como quem joga pétalas no altar. Uma guerra que parece novela sem fim, com capítulos diários de dor, ruína e poder. E o mundo, esse telespectador passivo, assiste como quem vê novela repetida, comendo pipoca de indiferença.

No meio disso tudo, Moraes, aquele juiz de toga firme e caneta pesada, revogou a prisão de Gilson Machado, ex-ministro do Turismo do governo do Capitão. O caso envolve passaporte português, Mauro Cid e aquela eterna tentativa de dar no pé pela porta dos fundos da história. A república virou palco de um teatro onde a trama mistura samba, sanfona, espionagem e fuga digna de novela mexicana.

Mas, cá entre nós, o Brasil não precisa de mais novela. Precisa de pão. E justiça. E gente que se olhe no espelho sem desviar os olhos da própria dignidade.

Que o pão de Santo Antônio alimente a esperança dos que têm fome — de comida e de verdade. Que o vento que cancelou o forró leve embora os fantasmas da corrupção. Que as missas rezadas hoje ecoem não apenas no altar, mas nas urnas, nas ruas, nas praças, nas escolas, nos tribunais.

Porque o Brasil de hoje, santo ou não, precisa mais de consciência do que de promessa.

E se não for pedir demais, Santo Antônio… une, sim, os corações. Mas que sejam corações limpos.


Crônica com fé, farpa e farinha no verbo.
Assina: Professor Antonio Glauber – no terreiro sagrado da palavra.