CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 13 de Agosto de 2025
As manchetes nas páginas do dia 13 de agosto de 2025.
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
O dia 13 de agosto acordou como quem tropeça no próprio chinelo: meio cambaleante, meio surpreso por já estar de pé. O sol, preguiçoso, se espreguiçava por trás das nuvens como um gato que não quer sair da rede, e as notícias, essas, vinham correndo feito carteiro com telegrama urgente — cada uma mais apimentada que a outra.
Logo cedo, a polícia em Sergipe resolveu varrer o quintal do crime, desarticulando um esquema de falsos consórcios. É a velha história: uns vendem sonhos em prestações, mas entregam pesadelos à vista. Consórcio falso é como namoro com promessa de casamento: você paga flores, jantares e alianças, mas no altar só encontra o eco da sua própria ingenuidade.
Enquanto isso, em São Cristóvão, um tamanduá resolveu trocar o seu habitat pelo segundo andar, aparecendo no telhado de uma casa como quem foi convidado para um chá das cinco e chegou antes do bule ferver. A Adema avisou: não mexam com o bicho, não alimentem, não medicem. Ou seja, tratem o tamanduá como tratam certos políticos — mantenham distância e não deem confiança.
No Hospital de Urgência de Sergipe, um marco no coração da cardiologia: um idoso de 82 anos foi o primeiro a receber um marca-passo definitivo implantado no Huse. É como colocar um maestro novo para reger a orquestra interna depois de anos com a batuta cansada. Vida nova no compasso certo.
Em Brasília, Lula tenta costurar um pano de salvação para empresas afetadas pela sobretaxa americana de 50%. Quer evitar demissões e promete fiscalizar se as companhias vão manter os empregos. O problema é que fiscalização no Brasil às vezes é como dieta de segunda-feira: começa firme, mas acaba cedendo ao pastel da esquina.
No STF, Fachin foi eleito presidente da Corte, com Moraes de vice. Fachin promete diálogo. A gente sabe que no dicionário político, “diálogo” pode significar desde “conversa franca” até “meu monólogo com plateia obrigatória”.
Nas ondas do mundo, o Brasil chega às finais da Liga Mundial de Surfe com Ítalo Ferreira e Yago Dora. Enquanto uns pegam a crista da onda no Taiti, outros, no Brasil, surfam na marola do preço do tomate.
Já na Europa, fim de uma era: o carimbo de passaporte será substituído por sistema eletrônico. Acabou o charme de colecionar carimbos como medalhas de guerra de viagens; agora é só um chip frio dizendo “entrou, saiu”. A tecnologia venceu o romantismo.
Mas o cardápio do dia tinha sabor agridoce: na Itália, dois mortos e 17 hospitalizados por comer sanduíche contaminado, provavelmente com botulismo. Até o brócolis virou vilão. A lição? Nem sempre o perigo está no bacon.
E, no tabuleiro global, a Rússia lança uma ofensiva relâmpago na Ucrânia às vésperas do encontro entre Trump e Putin. Moscou avança 10 km, como quem puxa a toalha da mesa antes que as taças caiam, tentando barganhar território como se fosse ficha de pôquer. Zelensky, do outro lado, repete: não cedo nada. E assim o mundo segue, com líderes brincando de xadrez enquanto o povo sangra no tabuleiro.
No fim, o dia de 13 de agosto deixa aquele gosto estranho, como café frio com açúcar esquecido: mistura de coragem, absurdos, esperança e um toque de insanidade. É a prova de que o mundo, seja em Sergipe, seja em Donetsk, continua sendo um grande palco onde o roteiro muda sem avisar, mas a peça — ah, essa — nunca sai de cartaz.
Se a vida é esse jornal diário de absurdos e milagres, que ao menos a gente saiba rir das manchetes, chorar nas entrelinhas e aplaudir as pequenas vitórias — antes que o próximo tamanduá apareça no nosso telhado.
Japaratuba, 13 de agosto de 2025.




