CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 13 de abril de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 13 de abril de 2025
Publicado em 14/04/2025 às 0:39


Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

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O sol de domingo amanheceu vestido de atleta em Japaratuba. Calçou o tênis, alongou os braços no céu e saiu correndo com a “1ª Corrida da Nossa Gente”, que mais parecia um desfile de sonhos em movimento. Lá estavam os corredores — uns de alma leve, outros de barriga cheia — riscando as ruas com suor, esperança e aquela velha vontade de ver a cidade não só no mapa, mas no coração do calendário esportivo do estado. Foi a metáfora perfeita do que falta no país: união, saúde, e uma linha de chegada que não exclua ninguém.

Enquanto isso, nos corredores frios e caros de um hospital, o ex-presidente Bolsonaro atravessava sua maratona intestinal. Doze horas de cirurgia. Doze horas de bisturis, suturas e anestesias que não apagam os traumas de uma nação que ainda sente dor. O boletim médico garantiu: está estável e sem dor. Ao menos no físico — porque os intestinos da política continuam obstruídos por ideologias endurecidas, gases da arrogância e aderências de narrativas inflamadas. Uma reconstrução abdominal foi feita; quem dera existisse uma reconstrução ética com o mesmo zelo cirúrgico.

Enquanto o bisturi cortava o silêncio no Brasil, Trump afiava tarifas nos Estados Unidos. Mas, num plot twist digno de novela mexicana, deu dois passos pra trás e decidiu poupar os eletrônicos — talvez porque sem os iPhones não se faz revolução, selfie ou fake news. A China, sempre milenar, respondeu com a calma de quem toma chá de jasmim e a firmeza de quem domina a porcelana e os bilhões: “Um pequeno passo”, disseram. Pequeno demais pra quem pisa forte no mercado global e já cansou de dançar conforme a música americana.

E falando em dança, o Equador trocou o compasso e reelegeu Daniel Noboa, mesmo com Gonzalez gritando que o resultado desafinou. Recontagem foi pedida, porque aceitar a derrota virou coisa de museu político. Democracia no século XXI, ao que parece, é um baile onde só se dança quando a música agrada. Se desafina, fecha-se a urna e abre-se o Twitter.

Enquanto isso, a Rússia — aquele vizinho que não sabe brincar — voltou a lançar seus mísseis sobre a Ucrânia. Em Sumy, o som das explosões calou vozes, sorrisos e vidas. Trinta e dois mortos. Mais de oitenta feridos. Zelensky grita por socorro ao mundo, mas o mundo está de fone no ouvido, escutando podcast sobre produtividade enquanto o sangue escorre pelas calçadas do Leste Europeu. A escória imunda, como ele mesmo disse, não vem só dos mísseis, mas da indiferença planetária.

E no Brasil, onde tudo vira mercado, até o céu tem preço: a Bíblia, o livro que ensinava a multiplicar peixes, agora ensina a multiplicar lucros. Versículos bordados a ouro, capas de couro legítimo e fé em parcelas no cartão. Empreendedoras da salvação, vendendo exclusividade a quem quer sentar à direita do Pai com status de influenciador gospel. E se Jesus entrasse hoje num desses templos da ostentação, talvez virasse a mesa de novo, talvez vendesse um curso online de milagre com certificado no final.

O mundo gira como um disco arranhado: repete refrões de tragédia, desafina a esperança e comercializa até a espiritualidade. Mas Japaratuba correu contra o tempo, no compasso da inclusão e do esporte, lembrando que, mesmo em meio ao caos global, ainda é possível respirar fundo, alinhar os passos e correr — correr não pra fugir, mas pra construir.

E que, no pódio da vida, os vencedores sejam aqueles que não pisam nos outros pra chegar lá.

Fim da Crônica.
Com suor na testa, poesia no peito e crítica nos tênis —
Professor Antonio Glauber Santana Ferreira
Japaratuba-SE, onde a vida corre, a esperança respira e o povo insiste em sonhar.