CRÔNICA

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 12 de março de 2025

O Mundo Virado do Avesso: Entre Tarifas, Tiros Caninos e Sorvetes Roubados

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 12 de março de 2025
Publicado em 13/03/2025 às 9:29

Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


O mundo segue seu baile descompassado, uma dança estranha onde o maestro parece ter esquecido a batuta e a orquestra toca ao sabor dos ventos. No grande tabuleiro da geopolítica, os Estados Unidos decidiram brincar de xadrez tarifário, dando um xeque-mate na siderurgia brasileira. O aço e o alumínio agora carregam nos ombros a cruz da sobretaxa, enquanto economistas tentam nos acalmar com cálculos e porcentagens microscópicas: “Apenas 0,01% no PIB, quase nada!”. Ah, esses números mágicos que fazem a tragédia parecer um arranhão. Mas, e os trabalhadores das fábricas? Para eles, cada centavo perdido é um peso a mais no bolso vazio.

Enquanto isso, nossos irmãos argentinos transformam as ruas em um grande estádio de futebol, onde aposentados, armados com cartazes e esperança, marcham contra o governo Milei. As bengalas se tornaram bandeiras, os gritos roucos soam como cantos de arquibancada, e até torcedores decidiram entrar na briga, porque se tem algo que o argentino entende bem é de luta. Mas o governo, como um árbitro comprado, finge não ver a falta dentro da área e diz que é tudo teatro de gente “vermelha”. A ironia? São os velhos lutando pelos trocados que um dia suaram para conquistar. Mas quem se importa? O show tem que continuar.

E nos Estados Unidos, a pátria da liberdade e do inusitado, temos dois episódios que fariam qualquer roteirista de Hollywood repensar sua carreira. Primeiro, um pequeno cidadão, indignado com a injustiça do mundo, decidiu acionar a lei. “Mamãe comeu meu sorvete, isso é um crime!” – gritou ele ao telefone para a polícia. Pobrezinho! Sua inocência ainda não compreende que há crimes muito piores sendo cometidos todos os dias, sem que sirenes soem ou algemas se fechem. Mas que bom seria se a justiça fosse tão ágil para todos como foi para essa sobremesa confiscada.

E então, como cereja nesse bolo de loucuras, temos um pitbull que, em um surto de rebeldia, resolveu virar manchete: pulou na cama e, acidentalmente, disparou uma arma contra o próprio dono. O cachorro, sem saber, fez um protesto mudo contra a obsessão americana por armas – afinal, se até os cães estão armados, é sinal de que o circo pegou fogo. Dizem que o dono sobreviveu, apenas ferido de raspão. Mas o maior ferimento foi no ego: baleado pelo próprio melhor amigo.

Por aqui, no nosso querido estado Sergipe, a ferida não é de bala, mas de um mal que corrói por dentro: a ansiedade e a depressão, que afastam mais de 2.300 pessoas do trabalho. O Brasil, esse país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza, parece ter perdido o brilho no olhar. O peso da rotina, a pressão invisível, a corda apertando o pescoço, e lá se vai mais um trabalhador para o limbo dos que não suportam mais. O adoecimento mental já não é um sussurro, mas um grito, e ainda assim, poucos escutam.

No fim, seguimos nesse espetáculo surreal, onde o mundo se equilibra na corda bamba da insanidade. O aço e o alumínio carregam suas cruzes tarifárias, os aposentados argentinos gritam ao vento, crianças clamam por sorvete e cachorros viram atiradores. E nós, aqui, assistimos a tudo, entre risos nervosos e suspiros de desalento, tentando entender se estamos vivendo uma grande piada ou um profundo drama.

E que venha o próximo ato desse teatro sem roteiro.