CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 12 de maio de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
No palco surreal onde a realidade ensaia seus números mais excêntricos, o Brasil amanheceu com um café adoçado de ciência, um pão dormido de geopolítica, ovos exportados em cestas diplomáticas e, claro, marmotas chinesas estrelando o Globo Repórter. Tudo isso regado a uma boa dose de ironia, como se a segunda-feira precisasse de algo além do despertador.
Na terra do cacique Morubixaba Japaratuba, o sol nasceu tímido, mas a Fapitec/SE lançou um raio de esperança: edital novo, bolsas gordas, de até R$ 5.200 — um milagre financeiro digno de romaria acadêmica. Para o pesquisador sergipano, que vive de ideias e café coado em filtro de papel já reutilizado, essa notícia soa como música sinfônica em rádio AM. É a chance de transformar hipóteses em avanços, TCCs em teses, laboratórios em usinas de futuro. Que não falte coragem, nem planilhas!
E por falar em coragem, a CBF resolveu trocar o pão com ovo por croissant de luxo: Carlo Ancelotti, direto do Real Madrid para a selva tática da Seleção Brasileira. Um senhor de 65 primaveras, bigode europeu e currículo que faz até o currículo Lattes sentir inveja. O Brasil, que andava tropeçando em amistosos como bêbado em calçada esburacada, agora tenta encontrar o prumo com um italiano que sabe mais de vestiário que muito político sabe de ética.
Ednaldo Rodrigues, com ares de profeta da bola, declarou que juntos escreverão novos capítulos gloriosos. Que assim seja. Mas que não se esqueçam de que, por aqui, a caneta da esperança já foi bic, já foi tinteiro… hoje é lápis com borracha gasta. Esperamos que Ancelotti saiba lidar com laterais que não voltam, zagueiros que sonham em ser atacantes e uma torcida que exige milagre todo jogo, como quem exige cashback no mercado.
Enquanto isso, nos bastidores do mundo, EUA e China fazem as pazes tarifárias por 90 dias. É o tipo de reconciliação que dura menos que promessa de campanha, mas serve para acalmar os ânimos do mercado, que, como a marmota chinesa, adora se estapear quando o trânsito congestiona.
E falando nelas, as marmotas… Ah, as marmotas! Duas fofuras peludas brigaram em plena rodovia da China e provocaram um congestionamento épico. É a fábula moderna da fauna urbanizada: nem os animais aguentam mais o trânsito, a rotina, o capitalismo selvagem. Talvez tenham discutido sobre a divisão de território ou sobre quem assistiria primeiro à nova série do momento. Fato é que, num mundo cada vez mais animal, os humanos seguem dando show de irracionalidade.
Mas voltemos ao Brasil, onde até ovo virou artigo de exportação. Os EUA, cansados de omeletes sem alma, descobriram o sabor tropical da nossa galinha. A exportação cresceu mais de 800%, e o galinheiro nacional virou celeiro de geopolítica gastronômica. É a globalização da gema, a diplomacia da casca.
E enquanto o país das jabuticabas sonha com gols de Ancelotti e bolsas de pesquisa, o mundo gira como um ovo frito na frigideira da história. É preciso cuidado: se o fogo for alto demais, tudo queima. Se for brando, nada se cozinha.
Que venham, então, mais marmotas, mais cientistas, mais técnicos com bigodes e mais ovos nas mesas — mas que venham, sobretudo, mais dignidade, menos tarifaço, mais bola no pé e menos tapa na cara do contribuinte.
Porque a vida, esta senhora sem GPS, continua dirigindo em rodovias congestionadas, onde até marmotas sabem quando é hora de parar.




