CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 12 de julho de 2025

As manchetes croniquizadas do 2º sábado de julho de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 12 de julho de 2025
Publicado em 13/07/2025 às 13:16


Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


O dia 12 de julho nasceu com cara de bolero antigo tocando na Rádio Aperipê, enquanto o céu, em luto, cobria Aracaju com nuvens do tipo “saudade acumulada”. Morreu Jackson Hora, a voz que fazia o rádio parecer colo de mãe e conselho de avô. Sua garganta era tambor de sanfona, seu timbre, memória afetiva. Quando ele falava, parecia que o tempo descansava para ouvi-lo. Agora, silenciou-se mais que final de novela das oito.

Jackson não era apenas um radialista. Era um encantador de ondas, um curador de manhãs sergipanas. Professor também, desses que ensinavam até quando sorriam. E partiu justamente quando o mundo precisa desesperadamente de mais professores e locutores — que falem à mente e ao coração. Vá em paz, Jackson. No céu, devem estar precisando de um narrador para as notícias das estrelas.

Enquanto isso, aqui na Terra — mais precisamente no terreiro das tradições — o forró virou MMA. O concurso de quadrilhas juninas terminou com direito a chinfra, cotovelada e jurado agredido. Parece que a sanfona desafinou e o chapéu de palha virou arma. Um arraiá onde a estrela não foi o milho nem o xote, mas o xilique.

Disseram que o júri era independente. Talvez tão independente que não dependeu nem do bom senso. E o São João pós – São João, que antes era festa de fogueira e fartura, virou batalha de vaidade com bandeirolas tremendo de medo. Daqui a pouco, vai ter árbitro de vídeo no arraial e juiz com colete à prova de pamonha.

No cenário internacional, o mundo tenta segurar as rédeas do caos. Uma conferência na Colômbia quer aplicar medidas para conter Israel e sua sanha bélica. China, Portugal, Turquia, Líbano… é como se o planeta dissesse: “Chega, Netanyahu! Pare de brincar de Deus com controle remoto de míssil!” Mas conter uma guerra com palavras é como tentar apagar incêndio com suspiro. Ainda assim, é preciso tentar. A diplomacia é a última pétala da rosa antes que tudo vire espinho.

E entre uma explosão e outra, a Terra descobriu que Marte deixou cair um pedaço. Uma rocha marciana vai a leilão por módicos R$ 22 milhões. Veja bem: enquanto professores ganham migalhas, uma pedra sem CPF virou investimento. O capitalismo é um reality show onde o vencedor é quem grita mais alto, mesmo que esteja vendendo vento ou poeira estelar.

Junto com a rocha, venderão também um dinossauro esquelético. Ironia das ironias: a ciência virou espetáculo, e os fósseis que deveriam estar educando estão sendo leiloados para decorar sala de bilionário entediado.

Enquanto isso, aqui no Brasil, há crianças que nunca viram um livro de verdade e escolas com mais cupim do que giz. Mas ei, pelo menos temos um pedaço de Marte para chamar de nosso… ou melhor, para chamar de “vendido”.

E assim foi o 12 de julho. Um sábado onde morreu uma voz, brigaram numa quadrilha, planejaram a paz na Colômbia e colocaram Marte no Mercado Livre. Um dia em que o rádio se calou, o forró se exaltou, a guerra ensurdeceu e a ciência virou leilão de luxo.

Por fim, fico aqui pensando… Se uma pedra de Marte vale 22 milhões, quanto valeria um coração sergipano com saudade, um professor que ensinou com a voz ou uma festa junina em paz?

A resposta, talvez, esteja na frequência AM das lembranças.