CRÔNICA
Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 11 de março de 2025
Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
O tempo, esse cronista impiedoso, passa apressado como viatura da polícia em dia de solenidade. E eis que Sergipe veste farda, estufa o peito e brada em comemoração aos 190 anos da sua Polícia Militar. No grande teatro da vida pública, medalhas brilham, discursos ecoam e palmas ressoam como tambores de guerra. Mas no meio dessa festa marcial, a pergunta ecoa: será que a segurança pública recebe os mesmos louros dos discursos ou continua como um tambor vazio, batendo alto, mas sem recheio?
Enquanto os generais do governo distribuem tapinhas nas costas, o Hospital da Criança recebe outra ordem de marcha: a gestão será transferida. Sai um comando, entra outro, mas a população segue na enfermaria da incerteza. No tabuleiro da política, a saúde pública vira peão, movido a bel-prazer por mãos invisíveis. E as crianças? Ah, essas continuam esperando atendimento, porque no Brasil a infância é prioridade… no papel.
Já na terra dos sonhos matemáticos, a Mega-Sena sorriu para dois afortunados em São Paulo. O país inteiro dormiu pobre e acordou com duas novas ilhas da fortuna no oceano da desigualdade. Itapira e Jundiaí agora carregam os fardos milionários da dúvida: investir ou gastar? Seguir na labuta ou dizer adeus ao despertador? São os dilemas da súbita abundância, enquanto o resto do país segue raspando moedas no fundo da panela.
Lá no frio do extremo norte, a Groenlândia também embaralhou suas cartas políticas. O partido Demokraatit venceu, prometendo uma independência que parece um namoro complicado: quer distância, mas ainda precisa da mesada da Dinamarca. É um pouco como o Brasil em relação à velha República: quer renovar, mas tem um apego danado ao velho jeitinho de sempre.
E assim, a roda da história gira, ora premiando, ora transferindo, ora fardando a realidade em discursos pomposos. O povo? Ah, o povo segue, resistindo, jogando suas fichas, esperando que um dia a sorte sorria – ou que, pelo menos, a gestão pública não seja um jogo de azar.




