CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 11 de maio de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
Era Dia das Mães. E como toda mãe brasileira, a nação acordou com cheiro de café, mas também com cheiro de fio queimado. O Hospital do Coração, ironicamente batizado com o órgão símbolo do amor, ardeu em labaredas que não foram de paixão. Foi um incêndio discreto, como se as chamas tivessem pedido licença antes de entrar, queimando apenas um leito vazio. Graças a Deus ninguém ficou ferido durante a ocorrência.
Enquanto isso, os céus de Sergipe anunciaram sua própria forma de protesto: um vendaval de lágrimas que a meteorologia chama de “alerta de chuvas intensas”, mas que o povo lê como “mais um banho de descaso”. Os córregos ameaçaram vomitar seus limites, e os rios — já cansados de segurar o choro — se prepararam para transbordar a tristeza acumulada. A Defesa Civil virou anjo da guarda de plantão, com telefone 199 como oração de emergência.
No sertão de Nossa Senhora da Glória em Sergipe, três cavalos tombaram eletrocutados. Vítimas de um fio clandestino que prometia luz mas ofereceu a morte. Cavalos, esses seres que simbolizam liberdade, sucumbiram à gambiarra elétrica da sobrevivência brasileira. Trocaram os relinchos por silêncios definitivos, tombaram sem protesto, como tantos cidadãos que tropeçam nos descuidos de um sistema viciado em improvisar.
No plano das alturas do poder, o Vice -,Presidente Alckmin anunciou que o governo pode, quem sabe, talvez, cogitar, estudar, quem sabe de novo, atender presencialmente os aposentados lesados por descontos fantasmas do INSS. Tudo depende do “se”, do “quando” e do “meu INSS”, plataforma que exige internet — coisa que muitos idosos só conhecem pela TV. É a era digital tentando abraçar quem mal consegue apertar o botão do controle remoto.
Já Roberto Jefferson, eterno reincidente das manchetes, foi agraciado com prisão domiciliar — um luxo que muitos inocentes não têm. Impedido de usar redes sociais, terá de pescar suas ideias em silêncio, ou talvez, usar pombo-correio para continuar disparando seus delírios. Moraes, o algoz e juiz, colocou um cadeado na porta e uma focinheira digital no ex-deputado.
Mas nem só de cinzas e cabos queimados viveu o domingo. Teve ouro na areia! O Brasil conquistou o heptacampeonato no futebol de areia, dançando entre os grãos como quem samba diante das marés. Entre um gol e outro, o povo brasileiro se distraiu da tragédia, como quem joga futebol para esquecer a falta d’água, a conta de luz, o preço do gás e o vizinho que virou estatística.
Na Argentina, encontraram no porão da Suprema Corte mais de 80 caixas de propaganda nazista. Sim, em pleno 2025, fantasmas de 1941 sussurram no escuro dos arquivos. A História, essa senhora rancorosa, sempre dá um jeito de lembrar que os monstros não morrem: eles hibernam em porões esperando novas primaveras.
E por fim, na Caxemira, Índia e Paquistão mantiveram o cessar-fogo. Milagre? Estratégia? Ou só mais uma pausa para encher as armas? A trégua respirou no domingo, enquanto as explosões cochichavam promessas no ouvido da paz — como um casal em crise que ainda não teve coragem de separar as escovas.
Tudo isso aconteceu no mesmo dia em que milhões de mães receberam flores, bombons, cafunés e cartões com frases feitas. Enquanto isso, o Brasil, esse filho rebelde, continuou a provocar a mãe Pátria com incêndios, descasos, fios pelados e promessas pela metade.
E a Mãe Brasil, com olhos marejados, talvez tenha sussurrado em seu íntimo: “Ah, meu filho… você ainda tem jeito, mas precisa parar de brincar com fósforo .”
Porque toda mãe perdoa, mas o destino — esse juiz de toga invisível — cobra juros compostos com a régua da realidade.




