CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 11 de julho de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 11 de julho de 2025
Publicado em 12/07/2025 às 15:54

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


O dia 11 de julho acordou com cheiro de carne — mas não de churrasco, de escândalo. A frigideira esquentou nos bastidores dos hospitais públicos de Sergipe, onde um funcionário resolveu transformar a saúde alheia em açougue pessoal. Enquanto pacientes rezavam por sopa, ele montava o próprio rodízio clandestino com picanha congelada e ética descongelada. Foi preso, claro. Mas o estrago já estava servido: meio milhão em carnes desaparecidas, e a dignidade foi a sobremesa roubada.

Ah, Brasil! Terra onde o bife some antes de chegar ao prato, e o povo é deixado com o osso da indignação. Um país onde o garfo é usado para furar o próximo, não o filé. A saúde sangra como boi no curral da corrupção, e o cidadão assiste atônito, com fome de justiça e sede de explicações que não vêm nem com molho de alho.

Enquanto isso, em Brasília, o governo decidiu apertar o cinto — dos outros, é claro. Sai a conta gorda da energia subsidiada, entra a faca nos benefícios. Publicaram uma Medida Provisória que, de provisória, só tem o nome: muda as regras da Conta de Desenvolvimento Energético, incentiva hidrelétricas pequeninas e entrega mais poder à tal da PPSA, que parece nome de escola infantil, mas cuida do gás da União. Resumindo: quem quiser calor agora, que acenda a própria esperança — e prepare-se para pagar por isso.

Mas nem tudo é cinza nesse caldeirão tupiniquim. Tem montadora desfilando com roupagem verde. Fiat, Volkswagen e Renault divulgam descontos do IPI verde. O programa Carro Sustentável foi assinado e, como parte dele, o Presidente Lula anunciou a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que chegou como quem promete um amor novo: cheiroso, eficiente e com desconto. Um carro por menos de R$ 68 mil? É quase uma miragem de oásis no deserto da mobilidade urbana. Quase. Porque, pra maioria, o único veículo possível ainda é o da fé — ou o busão lotado das 6h.

E, do alto de sua torre de sabedoria, sensatez e sarcasmo, o Nobel Paul Krugman apontou o dedo para Trump e disse: “Isso é ilegal!” — referindo-se às tarifas aplicadas contra produtos brasileiros. Trump (Cabelo de Boneca), sempre ele, brincando de ser presidente do mundo, impõe tarifas como quem distribui tapas em almoço de família: sem lógica, sem razão e com cara de poucos amigos. O mandatário dos Estados Desunidos da América continua tentando transformar o planeta numa extensão do próprio ego, e o Brasil, de novo, vira bucha na panela geopolítica.

E no meio disso tudo, o povo… ah, o povo segue como passageiro de um carro sem direção: às vezes elétrico, às vezes movido a esperança, muitas vezes puxado por promessas. Somos motoristas sem estrada, mecânicos sem ferramentas, passageiros da própria paciência.

Vivemos num país onde a luz está cara, a carne evapora, o gás é negociado como se fosse segredo de Estado, e o carro popular virou sonho com airbag. Mas ainda temos poesia. Ainda temos riso — ainda que nervoso. Ainda temos crônicas para espremer lágrimas em forma de palavras e raiva em forma de metáforas.

E é por isso que sigo escrevendo.
Porque no Brasil e no mundo de hoje, quem não chora com o noticiário, ri com a própria lucidez.