CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 11 de Agosto de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 11 de Agosto de 2025
Publicado em 12/08/2025 às 1:53

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

Ah, segunda-feira, essa senhora de vestido bege e olhar de reprovação, que chega sempre com a mesma receita amarga: um punhado de burocracia, duas colheres de café requentado e uma dose cavalar de realidade. Mas hoje, 11 de agosto, ela se disfarçou de festa — Dia do Estudante e do Advogado. Um dia, portanto, para quem vive de aprender e para quem vive de provar, com palavras, que sabe o que aprendeu… ou pelo menos convencer alguém disso.

No meu cantinho de Japaratuba, a Escola Municipal Professor Emiliano Nunes de Moura vestiu seu melhor sorriso para os estudantes: salas viraram cinemas, cantinhos viraram mundos de livros, e até as mesas se transformaram em arenas de jogos. Era como se cada corredor fosse uma avenida de sonhos pavimentada por gargalhadas, e cada professor, um motorista tentando não atropelar a curiosidade com provas e tarefas.

Mas fora da escola, o Brasil não estava em clima de recreio. Em Brasília, a Câmara dos Deputados decidiu virar um daqueles recreios problemáticos onde quatorze parlamentares jogam bola de gude no plenário e chutam a bola na cara da democracia. A corregedoria recebeu o bilhete da diretoria: “Favor comparecer com urgência para punição dos bagunceiros.” Agora, o senhor corregedor tem 48 horas para decidir se dá suspensão, expulsão ou um sermão daqueles que começa com “no meu tempo era diferente…” — e nunca é.

Enquanto isso, no mundo do comércio internacional, Lula e Alckmin se reuniam para tentar entender como impedir que o “tarifaço” dos EUA transformasse o Brasil num camelódromo gigante, vendendo produtos com desconto para os gringos ficarem com dó. É um romance comercial mal escrito, onde o protagonista se apaixona pelo mercado externo e leva um fora, com direito a 50% de imposto e um recado seco: “Não é você, sou eu.”

E em Sergipe, a criatividade dos golpistas prova que o crime também tem sua “faculdade”: um homem, com currículo de mais de 20 inquéritos, conseguiu emprestar R$ 5 milhões… em notas falsas. Um Picasso do estelionato, pintando Mona Lisas de papel sulfite, vendendo sonhos falsos embrulhados em plástico. Foi preso no Distrito Federal, provavelmente perguntando ao delegado: “Mas não vale pela intenção?”

Do outro lado do planeta, Trump resolveu dar uma trégua à China. Um aperto de mão diplomático com data de validade de 90 dias, como se o mundo fosse um reality show e a pauta fosse “Hoje não vou te eliminar, mas fica esperto”. É a geopolítica servida em micro-ondas: quente, mas com gosto de plástico.

Hoje, o Brasil foi um pouco escola, um pouco tribunal, um pouco feira livre de notas falsas e um pouco novela geopolítica. E a vida segue, como aquele aluno que esquece o dever de casa mas promete entregar amanhã — e a gente sabe que não vai.

Porque no fundo, ser brasileiro é viver num eterno recreio interrompido pela sirene da realidade, onde a lição do dia é sempre a mesma: quem não aprende com o passado, repete a prova até decorar a vergonha.