CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 11 de Agosto de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
Ah, segunda-feira, essa senhora de vestido bege e olhar de reprovação, que chega sempre com a mesma receita amarga: um punhado de burocracia, duas colheres de café requentado e uma dose cavalar de realidade. Mas hoje, 11 de agosto, ela se disfarçou de festa — Dia do Estudante e do Advogado. Um dia, portanto, para quem vive de aprender e para quem vive de provar, com palavras, que sabe o que aprendeu… ou pelo menos convencer alguém disso.
No meu cantinho de Japaratuba, a Escola Municipal Professor Emiliano Nunes de Moura vestiu seu melhor sorriso para os estudantes: salas viraram cinemas, cantinhos viraram mundos de livros, e até as mesas se transformaram em arenas de jogos. Era como se cada corredor fosse uma avenida de sonhos pavimentada por gargalhadas, e cada professor, um motorista tentando não atropelar a curiosidade com provas e tarefas.
Mas fora da escola, o Brasil não estava em clima de recreio. Em Brasília, a Câmara dos Deputados decidiu virar um daqueles recreios problemáticos onde quatorze parlamentares jogam bola de gude no plenário e chutam a bola na cara da democracia. A corregedoria recebeu o bilhete da diretoria: “Favor comparecer com urgência para punição dos bagunceiros.” Agora, o senhor corregedor tem 48 horas para decidir se dá suspensão, expulsão ou um sermão daqueles que começa com “no meu tempo era diferente…” — e nunca é.
Enquanto isso, no mundo do comércio internacional, Lula e Alckmin se reuniam para tentar entender como impedir que o “tarifaço” dos EUA transformasse o Brasil num camelódromo gigante, vendendo produtos com desconto para os gringos ficarem com dó. É um romance comercial mal escrito, onde o protagonista se apaixona pelo mercado externo e leva um fora, com direito a 50% de imposto e um recado seco: “Não é você, sou eu.”
E em Sergipe, a criatividade dos golpistas prova que o crime também tem sua “faculdade”: um homem, com currículo de mais de 20 inquéritos, conseguiu emprestar R$ 5 milhões… em notas falsas. Um Picasso do estelionato, pintando Mona Lisas de papel sulfite, vendendo sonhos falsos embrulhados em plástico. Foi preso no Distrito Federal, provavelmente perguntando ao delegado: “Mas não vale pela intenção?”
Do outro lado do planeta, Trump resolveu dar uma trégua à China. Um aperto de mão diplomático com data de validade de 90 dias, como se o mundo fosse um reality show e a pauta fosse “Hoje não vou te eliminar, mas fica esperto”. É a geopolítica servida em micro-ondas: quente, mas com gosto de plástico.
Hoje, o Brasil foi um pouco escola, um pouco tribunal, um pouco feira livre de notas falsas e um pouco novela geopolítica. E a vida segue, como aquele aluno que esquece o dever de casa mas promete entregar amanhã — e a gente sabe que não vai.
Porque no fundo, ser brasileiro é viver num eterno recreio interrompido pela sirene da realidade, onde a lição do dia é sempre a mesma: quem não aprende com o passado, repete a prova até decorar a vergonha.




