CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 10 de Setembro de 2025
"Café Amargo, Justiça Fraca e Balas da Democracia"
As Manchetes do 10º dia de setembro de 2025 no diário da vida
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
O dia 10 de setembro foi servido como um café requentado: frio na boca, amargo no coração e com um fiapo de esperança boiando como açúcar mal dissolvido. O brasileiro achou que ia pagar menos no pó sagrado das manhãs, mas a indústria já sussurra com ar de vilã de novela: “aproveite o desconto, porque logo logo sua xícara custará mais do que um bule de prata.” O café, esse oráculo líquido que sustenta jornadas e insônias, brinca de gangorra com o bolso do povo. Cai 2%, sobe 15%. É como aquele amigo falso que te abraça num dia e no outro te vende fiado com juros de agiota.
Enquanto o aroma da injustiça fervia nas cozinhas, em Aracaju um síndico descobriu que condomínio também é arena romana. Um trabalhador, tomado por um delírio sem causa aparente, resolveu empunhar faca contra quem administra portões. A cena soa como metáfora cruel: num país onde a política fere e a economia sangra, até o condomínio vira campo de batalha, e o síndico, bode expiatório de angústias que nem sempre lhe pertencem.
No campus da UFS, porém, soprou um vento tímido de esperança digital: 386 vagas abertas para cursos a distância. É a universidade tentando esticar braços virtuais até Brejo Grande, Estância, Poço Verde. É como se a sabedoria, cansada de morar só em prédios de concreto, resolvesse calçar sandálias e bater de porta em porta nos interiores. Mas sabemos: diploma sem oportunidade é espada sem lâmina — brilha, mas não corta.
E como se não bastasse o Brasil ser palco de tragédias cômicas, o Supremo resolveu oferecer um espetáculo à parte. O ministro Fux, com toga reluzente, votou pela absolvição de Bolsonaro. O placar, 2 a 1, parecia partida de futebol mal apitada. Ali, o jogo não tinha bola, mas tinha destino: o da memória nacional. A cada voto, ecoava o som de milhões que se perguntam: “Afinal, a democracia é café adoçado ou café sem filtro?”
Do outro lado do hemisfério, nos EUA, o conservador Charlie Kirk caiu sob tiros no palco da própria retórica. Um ativista que pregava certezas foi engolido pelo caos. Sua morte, confirmada pelo presidente, soa como recado brutal: quando o discurso carrega pólvora, cedo ou tarde encontra quem acenda o pavio.
Assim foi o 10 de setembro: um dia servido em goles de ironia. Café que sobe e desce como montanha-russa de juros, síndico transformado em Cristo de condomínio, universidade tentando costurar futuros em fios de internet, Supremo em novela de tribunal, e o mundo, mais uma vez, testemunhando que palavras também podem virar balas.
E eu, professor de Japaratuba, fecho esta crônica como quem esvazia a xícara já fria: perguntando se não estamos todos apenas bebendo goles de ilusões, adoçadas com esperança, mas adoçadas demais — a ponto de esconder o gosto amargo da realidade.
Porque no fim, meu caro leitor, o café da história nunca é grátis.




