CRÔNICA
Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 10 de março de 2025
Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
O Brasil acordou, e Sergipe abriu as cortinas do seu teatro administrativo anunciando um concurso para especialistas em Políticas Públicas. Mas, no grande espetáculo da gestão, será que os protagonistas são realmente preparados ou apenas figurantes de um enredo previsível? O tablado do funcionalismo público continua a mesma peça, onde os concursos são os atos de esperança e os contratos temporários, os aplausos forçados. Quem prestará esse concurso: sonhadores ou sobreviventes?
Enquanto isso, a prefeita Emília Corrêa tenta eletrificar o transporte público de Aracaju com 30 ônibus elétricos. Um lampejo de modernidade ou uma faísca tímida num oceano de caos urbano? O trânsito continua uma ópera desafinada, onde os atores principais – os passageiros – seguem encurralados entre tarifas, atrasos e veículos que mais parecem relíquias arqueológicas sobre rodas. Será que os novos ônibus chegarão a tempo de evitar o colapso ou servirão apenas para adornar discursos de campanha?
Se no Brasil as promessas governam, na Síria, o desespero predomina. O Itamaraty recomenda que brasileiros deixem o país, mas o problema não é sair – é saber para onde ir. O mundo continua um tabuleiro onde os poderosos movem suas peças, e os civis são apenas peões sacrificáveis. Mais de mil mortes em um fim de semana, uma contagem que não choca mais, pois a humanidade se acostumou a ver tragédias como trilhas sonoras de noticiários. A Síria sangra, o planeta assiste e a diplomacia assina notas de repúdio enquanto as bombas não aprendem a ler.
Em território mais burocrático, o CNJ decidiu que autorização para viagem de menores não pode ser feita apenas pelo Gov.br. Afinal, se a tecnologia pode servir para fazer PIX e declarar imposto de renda, por que não validar uma simples autorização? Mas não, a caneta ainda reina soberana. Cartórios continuam a ser templos do carimbo, onde o tempo se arrasta e a modernidade tropeça. Pais e mães que pretendiam liberar os filhos para viagens agora terão que peregrinar em filas, pois, no Brasil, digitalizar processos é como prometer amor eterno: na teoria, lindo; na prática, complicado.
E no Vaticano, um suspiro de alívio. O Papa Francisco já não está em perigo iminente, mas segue sem previsão de alta. O pontífice, que há anos prega o amor e a compaixão, enfrenta sua própria Via Crucis hospitalar. Enquanto isso, a igreja observa, os fiéis rezam, e o mundo especula: quem será o próximo guardião da fé? A sucessão papal é sempre um ritual envolto em mistério e política. Se Francisco sair de cena, quem vestirá a batina do destino?
O dia 10 de março se despede com um desfile de ironias. Sergipe abre vagas, mas quem preenche os espaços vazios da esperança? Ônibus elétricos são anunciados, mas a cidade segue à deriva. A Síria mergulha no inferno, enquanto cartórios brasileiros cobram para validar a liberdade de ir e vir. O Papa se recupera, mas a fé do mundo continua doente. O tempo avança, mas as contradições seguem intactas.
Boa noite, Brasil. Boa sorte, humanidade.




