CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 10 de maio de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 10 de maio de 2025
Publicado em 11/05/2025 às 15:26

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


Neste sábado com cheiro de floricultura e som de maquininhas de cartão, o Brasil abriu os olhos com a alma dividida entre o Dia das Mães que se aproxima e o INSS que reaparece – como aquele parente distante que só liga quando precisa. Eis que o órgão, vestido de “remorso administrativo”, anunciou que vai mandar bilhetinhos virtuais a cerca de 9 milhões de aposentados. Isso mesmo: nove milhões de almas que, ao invés de receberem um afago na conta, ganharam um sumiço misterioso em seus benefícios — como se o desconto viesse voando numa asa de vampiro digital, sorrateiro, invisível, impiedoso.

É o Brasil da tenda dos milagres, onde até o dinheiro dos velhinhos faz mágica: desaparece antes de chegar. E agora, com o tom de quem quer consertar um vaso estilhaçado com fita adesiva, o INSS pede que eles confirmem se autorizaram o rombo. É como perguntar ao peixe se foi ele que assinou o contrato com o anzol.

Enquanto isso, no reino da política, Roberto Jefferson — um veterano de escândalos, frases de efeito e outros efeitos colaterais — trocou o hospital-prisão pelo SPA domiciliar. Moraes, aquele mesmo ministro que virou um misto de juiz, síndico e bombeiro do STF, concedeu a prisão domiciliar ao ex-deputado. A justificativa: questões de saúde. E lá se vai Jefferson para casa, talvez de roupão, chá de camomila e tornozeleira que apita mais que panelaço em época de crise. A justiça no Brasil é tão simbólica que, às vezes, parece escrita por Guimarães Rosa em um dia de fúria poética.

No Vaticano, entre pedrarias, castiçais e incensos eternos, Leão XIV fez o que qualquer líder espiritual com fôlego faz: visitou a tumba do antecessor, o Papa Francisco, e disse que vai seguir seus passos. Esperamos que seja no campo das ideias, não apenas na coreografia. Porque seguir Francisco é coisa de coragem: o papa que trocou tronos por tênis, anéis por abraços, e luxo por lucidez. Já Leão parece mais um diplomata de altar, abençoando com um olhar de CEO celestial.

Enquanto tudo isso se desenrola, o comércio em Sergipe respira aliviado. É véspera do Dia das Mães, e o povo corre às lojas como quem corre às igrejas no fim do mundo. Buscam presentes, perfumes e panos para cobrir as ausências do afeto. Em meio a sacolas e promoções, a emoção tenta vencer a inflação — e em alguns lares, vence mesmo. Porque mãe, no Brasil, é mistura de milagre, martírio e Ministério da Esperança. E mesmo que o filho só ligue uma vez por ano, ela ainda atende com voz de reza e coração de pão quente.

O sábado foi assim: com velhos sendo notificados por um aplicativo que eles mal sabem usar, políticos sendo libertados com laudos que ninguém ousa contestar, e um novo papa tentando herdar o espírito do anterior, mas com cara de gerente de RH do céu. E no meio disso tudo, as mães — eternas metáforas da resistência, do consolo e da verdade que não cabe em boletins oficiais.

Porque enquanto houver mãe, haverá um pouco de justiça fora dos tribunais, fé fora das basílicas e cuidado fora das políticas públicas.

E que o Brasil aprenda com elas: a remendar com doçura, a corrigir com firmeza, e a amar mesmo quando a pátria se comporta como um filho mimado.