CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 10 de junho de 2025
As notícias do dia 10 de junho de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
O dia amanheceu com o sol cuspindo labaredas de sarcasmo sobre a terra seca de esperanças. No reino de Aracaju, a empresa Ramac ergueu seu estandarte e iniciou a coleta de lixo, prometendo limpar a sujeira que já virou tapete vermelho para as moscas diplomatas que negociam a decomposição dos sonhos. Quem sabe, no meio dos sacos pretos e das latas boquiabertas, encontrem o coração amassado de quem ainda acredita no poder de um varal de promessas.
No gramado sagrado da Neo Química Arena, o Brasil ganhou por 1 a 0 do Paraguai como quem tira um prego de uma cruz. Selou o passaporte para a Copa do Mundo de 2026, mas deixou no ar o perfume agridoce de um triunfo que parece festa de casamento sem noiva: falta brilho, falta noção, falta o samba que embala a alma do nosso povo. A bola, redonda como a ilusão, rolou de pé em pé, mas quem comemorou mesmo foram os vendedores de sonhos instantâneos e as narrativas que se alimentam do suor alheio.
Enquanto isso, no palco tragicômico da justiça, o sergipano Luciano dos Santos provou o gosto amargo de ser confundido com um criminoso. Preso por engano, foi solto como quem desperta de um pesadelo. O cárcere que o abraçou sem convite é metáfora viva de um país onde a lei, às vezes, usa vendas de carnaval para brincar de cegueira. Ali, a liberdade virou moeda de troca, e o nome de um homem, uma sentença mal escrita.
E falando em sentença, o ex-presidente Bolsonaro desfilou pela passarela de toga e microfones, diante do ministro Alexandre de Moraes, que, como um juiz de boxe, controla os rounds verbais dessa luta que não tem fim. Bolsonaro negou as acusações como quem recusa a última dose de veneno: com um sorriso de canto de boca e as mãos limpas de tudo, até das próprias palavras. Disse que suas reuniões com militares eram apenas ensaios de ópera – desafinada, é claro – e que jamais planejou impedir a posse de Lula, embora as retóricas inflamadas ainda tremulem como bandeiras sujas ao vento.
E assim seguimos, meus caros leitores: entre lixos recolhidos e lixos reciclados pela política, entre passes de futebol e tropeços judiciais, entre a liberdade confundida e a verdade despida. O Brasil dança essa quadrilha de ironias com passos incertos, tropeçando nos próprios cadarços e acreditando que o próximo acorde será o início de um novo forró.
Mas enquanto a banda não toca e o povo não descansa, fica o convite para não desistir do ensaio. Porque, no fundo, cada manchete de jornal é um espelho rachado onde enxergamos o nosso próprio reflexo. E, quem sabe, no próximo amanhecer, a luz do sol nos traga não apenas calor, mas também a claridade de um país que se recusa a se render à lama dos desenganos.




