CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 10 de julho de 2025

o suspiro do dia 10 de julho de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 10 de julho de 2025
Publicado em 11/07/2025 às 5:43


Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


O dia 10 de julho nasceu com cara de café forte: amargo, quente e impossível de ignorar. O sol nem bem abriu os olhos e já tropeçava nos fios desencapados do noticiário. Lá fora, o povo vestia verde e amarelo — não para torcer, mas para gritar. A Avenida Paulista virou um pulmão congestionado de indignação. Protesto contra tarifaço de Trump e a favor da taxação dos super-ricos: era como ver a Seleção Brasileira jogando contra o FMI e o VAR sendo operado por um CEO de Wall Street.

Do outro lado do mundo, em Gaza, a metáfora virou lágrima. Bombas caíram como trovões sem trovador, interrompendo a infância com um silêncio ensurdecedor. Dez crianças. Dez futuros que nem chegaram a tropeçar no primeiro amor, na primeira nota baixa ou no primeiro beijo roubado no recreio. Israel disse que mirava um militante. Mas acertou brinquedos, colos e cadernos. A guerra, esse monstro cego e esfomeado, segue sem dieta, comendo o que vê pela frente — ou, pior, o que nem vê.

Enquanto isso, aqui no reino do forró e da resistência, Aracaju dançava o xote da previdência. A Câmara aprovou a atualização da contribuição dos servidores com a leveza de quem assina um contrato sem ler as letras miúdas. A conta, claro, vai para o garçom — o servidor, esse herói invisível que já paga imposto até no sorriso. A reforma veio disfarçada de modernização, mas quem escuta o tilintar da faca no osso sabe que tem mais corte do que avanço.

Mas nem só de corte vive o Brasil. Chegaram 32 novos médicos em Sergipe pelo programa Mais Médicos, e a esperança ressurgiu como flor no asfalto rachado. Em tempos de emergência crônica e dores silenciosas, cada jaleco branco é um sopro de cura, um afago no peito da população que vive esperando por consultas como quem espera por milagre em fila de lotérica.

Ah, e não esqueçamos do futebol — esse altar nacional que une ateus e devotos. O ex-presidente do Flamengo quer agora comprar a SAF do Confiança. Será que o Dragão do Bairro Industrial vai virar Fênix e renascer no Brasileirão com asa rubro-negra? Ou vai ser só mais um clube vendido na liquidação da identidade esportiva? A esperança é azul, mas o dinheiro, quase sempre, tem sotaque carioca e intenções secretas.

Por fim, voltamos a Trump. O homem que um dia foi presidente agora parece mais um vendedor de muambas geopolíticas, oferecendo tarifas de 50% como se vendesse banana na feira — só que essa banana vem com espinhos. O café brasileiro, nossa bebida sagrada de cada manhã, agora custa mais caro para os ianques. E a carne, essa que já é artigo de luxo em nossas mesas, pode sumir do churrasco alheio.

E assim seguimos, nesse país onde até a esperança precisa de CPF para respirar. Onde o protesto é samba, o caos é cumbia, e a crônica é grito disfarçado de poesia.